O candidato às eleições primárias do PS António Costa considerou esta terça-feira que uma eventual redução do número de deputados seria uma “declaração de guerra” aos partidos mais à esquerda e um “favor ao PSD”.

Durante uma conferência de imprensa em Loures, António José Seguro adiantou que proporá que a nova lei eleitoral, que contempla também introdução do voto preferencial do eleitor em relação ao deputado, entre em vigor já nas próximas eleições legislativas.

No entanto, para António Costa “seria um erro avançar” para essa lei, uma vez que iria “afetar a proporcionalidade” e a representatividade dos partidos, sobretudo daqueles mais à esquerda. “Pode ser muito popular, mas eu sou contra. Afeta muito a proporcionalidade e é uma declaração de guerra aos partidos à nossa esquerda e um favor ao PSD, porque desvaloriza claramente o CDS-PP”, afirmou.

Ainda respondendo a António José Seguro, António Costa disse que “cada um dá prioridade ao que quer” e que a sua é o “relançamento da economia” e o “combate à pobreza infantil e juvenil”. “Não podemos ignorar a pobreza, em particular a infantil e a juvenil, que tem estado a aumentar muito significativamente nos últimos anos”, sublinhou.

Para que a proposta de revisão da lei eleitoral para a Assembleia da República seja aprovada, terão que ser ultrapassadas algumas dificuldades, sendo que uma delas prende-se com as divisões no seio da própria bancada parlamentar socialista. “Cada um deve expressar a sua opinião e manifestar as suas preferências. Veremos a seu tempo se essa posição comum é fácil de conseguir”, declarou o secretário-geral do PS, tendo em conta que muitos deputados do PS já se manifestaram contra o princípio da redução do número de deputados.

É o caso do deputado socialista João Galamba, que também considera que a proposta de António José Seguro afeta a representatividade partidária. “A proposta de reduzir o número de deputados para 181, para além de não estar alicerçado em nenhum estudo comparativo, consegue a extraordinária proeza de reduzir (significativamente) a representatividade parlamentar do interior que ele diz querer defender e de penalizar a representação dos pequenos partidos, no que não pode deixar de ser visto como uma tentativa de conquistar na secretaria aquilo que os portugueses não lhe dão com o voto”, escreveu no Facebook. “Fazer uma coisa destas no meio de uma grave crise de representação política é grave e muito pouco democrático”, acrescentou.