David Cameron disse que a população britânica é o seu único “chefe” na União Europeia, segundo o jornal Guardian. O comentário é tido como uma resposta à crítica feita pelo presidente cessante da Comissão Europeia, Durão Barroso, que acusou o primeiro-ministro do Reino Unido de estar a cometer “um erro histórico” na Europa.

Em causa está o plano de Cameron, noticiado pelo Sunday Times, para impor um limite ao número de imigrantes da União Europeia com baixas qualificações que podem imigrar para o Reino Unido. À BBC, Barroso disse que esta limitação corre o risco de ser incompatível com a legislação comunitária.

“A liberdade de circulação é um princípio muito importante no mercado interno: circulação de bens, capitais, serviços e pessoas. Recordo que o primeiro-ministro Cameron me pediu para assegurar a liberdade de circulação entre Gibraltar e Espanha. Os cidadãos britânicos têm liberdade para circular por toda a Europa. Só em Espanha vivem cerca de 700 mil. Por isso, o princípio da liberdade de circulação é essencial, temos de preservá-lo”.

A resposta não tardou a chegar. Durante uma visita à fábrica de motores da Ford, em Dagenham (leste de Londres), esta segunda-feira, Cameron comentou: “O que precisamos na Grã-Bretanha é uma renegociação do nosso relacionamento com a União Europeia e, depois, um referendo onde o povo britânico possa decidir se ficamos nesta organização reformada ou se saímos dela”. Disse ainda que no centro da “renegociação” estão as preocupações em torno da imigração, questão que ambiciona resolver. “É muito claro para mim quem é o chefe”, acrescentou, referindo-se ao povo britânico.

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Fontes de Downing Street, explica ainda o Guardian, confirmaram que o primeiro-ministro iria apresentar planos antes do Natal para reduzir os direitos dos migrantes da UE para trabalhar no Reino Unido, pelo que Cameron garantiu que vai responder à população com recurso a um referendo em 2017.

No início de 2014, antes da abertura total das fronteiras do Reino Unido a trabalhadores romenos e búlgaros, os britânicos anunciaram uma série de alterações que restringiam a entrada de cidadãos da UE. Atualmente, os imigrantes oriundos de outros Estados-membros só podem candidatar-se ao subsídio de desemprego três meses depois de terem chegado ao país. O pagamento dessa prestação social só é feito durante seis meses e, nesse período, os imigrantes têm de provar que estão à procura de trabalho.