A decisão dos Estados Unidos de vetar as reuniões previamente agendadas entre o ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon e o vice-presidente norte-americano Joe Biden, o secretário de Estado, John Kerry e a assessora de Segurança Nacional, Susan Rice, está a ser encarada como uma “humilhação”, uma “vingança” e uma “bofetada” pelos israelitas, segundo conta o jornal El País. Contrariando o que costuma ser a tradição diplomática que tem marcado os encontros anteriores entre os dois países, a viagem de Yaalon limitou-se ao encontro com o secretário da Defesa norte-americano, Chuck Hagel.

As relações diplomáticas entre Estados Unidos e Israel estarão de tal forma fragilizadas que, segundo a Associated Press, o encontro de Moshe Yaalon com a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Samantha Power, só terá ocorrido porque a ordem de veto decretada pela Casa Branca não chegou ao gabinete da embaixadora a tempo de impedir que a reunião tivesse lugar.

O clima de tensão entre Moshe Yaalon e os Estados Unidos não vem de agora: este é só o último episódio de uma crise que promete fragilizar os alicerces da histórica aliança entre norte-americanos e israelitas. Yaalon tem criticado publicamente a postura norte-americana no Médio Oriente e o desempenho de Jonh Kerry como mediador de conflitos na região, a quem terá chamado de “obsessivo e messiânico”. Yalon terá dito, também, que desejava que entregassem o Nobel da Paz a Kerry para que ele o deixasse de incomodar. O ministro da Defesa acusou, ainda, o executivo norte-americano de se comportar “comodamente”, quando em causa estava uma eventual crise nuclear com o Irão.

Em resposta, os Estados Unidos condenaram as declarações de Moshe Yalon, considerando-as como “ofensivas e inapropriadas”. Na semana passada, foi o próprio secretário de Estado norte-americano a criticar a posição de Israel no Médio Oriente, considerando que a “humilhação” a que os palestinianos estão subjugados por Israel gera uma “perda de dignidade”, que estará na origem de fenómenos como o Estado Islâmico (EI). A mensagem de Kerry, que alertava para a necessidade de procurar a paz entre Israel e a Palestina, foi entendida pelo governo israelita como uma campanha antissemita.

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O ministro das Finanças israelita, Yair Lapid, foi uma das vozes mais críticas para com esta decisão Estados Unidos de vetar os encontros entre Yalon e os seus congéneres norte-americanos: Lapid pediu “respeito” ao governo dos Estados Unidos, lembrando a natureza de aliado “essencial” de Israel.

Em declarações ao jornal Yedioth Ahronot, o analista Shimon Shiffer resume bem a indignação de Israel com o mais recente episódio da crise diplomática que se instalou entre os dois países: “É preciso ser cortês com quem gasta 3 mil milhões de dólares por ano com a nossa segurança”.