A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu nesta quarta-feira ao Canadá e à Austrália que expliquem a decisão, tomada na semana passada, de suspenderem a entrada de imigrantes de países africanos afetados pela epidemia do vírus do Ébola. “Estas são medidas que vão além das recomendadas pelo comité de emergência convocado pela direção-geral da OMS”, disse, em declarações à Agência Frace Presse, a responsável pelo comité de alerta da OMS, Isabelle Nuttall.

A 27 de outubro, a Austrália tornou-se no primeiro país do Ocidente a suspender a entrada de imigrantes de países africanos afetados pelo vírus do Ébola, tendo o Canadá feito o mesmo quatro dias depois. Os dois países defenderam que a medida é necessária para assegurar que o vírus – que desde o início do ano já matou mais de cinco mil pessoas, a maioria na Guiné-Conacri, na Libéria e na Serra Leoa – não entre nos seus territórios.

A OMS exigiu à Austrália e ao Canadá que “forneçam provas ao nível da saúde pública” e “provas cientificas que justifiquem as decisões”, adiantou Isabelle Nutall, acrescentando que este tipo de abordagem é feita “sistematicamente por todos os países”. “Não consideramos que fechar fronteiras seja a melhor abordagem para conseguir controlar-se a epidemia do Ébola neste momento”, referiu.