O grupo da Esquerda Unitária Europeia (GUE) – integrada pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP -, juntamente com o grupo dos Verdes, vão apresentar esta manhã a proposta para uma comissão de inquérito ao caso Lux Leaks no Parlamento Europeu, depois de os eurocéticos e da extrema-direita se terem aliado e conseguido adiantar-se numa moção de censura que será debatida e votada já na próxima semana.

A conferência de líderes desta manhã, que visa organizar a agenda da sessão plenária da próxima semana em Estrasburgo, vai analisar uma proposta de comissão de inquérito apresentada pela esquerda europeia, exceto o grupo dos socialistas, segundo apurou o Observador. Foi a eurodeputada Marisa Matias que dirigiu as conversações com os Verdes para os dois grupos chegarem a este entendimento e estes dois grupos precisam de um quarto dos votos do total de eurodeputados para verem esta iniciativa aprovada.

Depois de terem anunciado na quarta-feira que não apoiavam a moção de censura da extrema-direita e dos eurocéticos – liderados por Nigel Farage do UKIP e Marine Le Pen da Frente Nacional – devido ao alegado envolvimento do presidente na facilitação de evasão fiscal de mais de 300 multinacionais por parte do Luxemburgo, a Esquerda Unitária Europeia e Verdes querem agora que este envolvimento seja investigado pelos eurodeputados.

A própria Esquerda Unitária tentou apresentar uma moção de censura, mas não conseguiu apoio dos Verdes nem dos socialistas para essa medida. Num último apelo antes de recorrerem à comissão de inquérito, os eurodeputados deste grupo pediram que Juncker se demitisse.

Uma comissão de inquérito no Parlamento Europeu servirá “para analisar alegações de infração do direito da União ou de má administração na aplicação do direito da União, supostamente resultantes de atos de instituições ou órgãos da União Europeia, da administração pública de um Estado-Membro”, investigando neste caso se os tax rulings providenciados pelos Luxemburgo e que acabaram por prejudicar o pagamento de impostos em países terceiros eram ou não ilegais. A comissão de inquérito produzirá um relatório com os factos apurados e pode decorrer durante um ano e ter dois prolongamentos de três meses.

Para a moção de censura dos eurocéticos e da extrema-direita passar no plenário precisa de uma maioria de dois terços em plenário, algo muito difícil já que neste momento estão isolados na sua posição. O grupo Liberdade e Democracia liderado pelo eurocético britânico Nigel Farage tem 48 eurodeputados e há 52 eleitos não-inscritos, maioritariamente originários de partidos de extrema-direita.