A cidade do Porto foi nesta sexta-feira Charlie numa homenagem às vítimas do atentado ao jornal francês Charlie Hebdo, que juntou frente à câmara centenas de pessoas de caneta e lápis em punho em nome da liberdade de expressão. Pelas 16h00 chegaram os músicos da orquestra de sopro da ESMAE para entoar o Hino da Alegria de Beethoven, terminando de caneta em riste enquanto um cartaz evocativo era descerrado no topo da Câmara do Porto.

No pano negro com a imagem do cartoonista George Wolinski, do Charlie e membro do júri do Porto Cartoon desde 2004, pôde ler-se: “Somos Charlie Porto”, uma frase que ficará exposta durante uma semana. Ao mesmo tempo, um grupo de estudantes franceses em Portugal entoou o hino de França, empunhando cartazes “Je Suis Charlie” e comparando o atentado de França com o “acontecimento tão grave” que foi o 11 de setembro nos EUA.

“Estamos todos consternados, não podemos viver no medo e é por isso que estamos aqui [para] mostrar que somos um país de liberdade e que não nos podemos baixar. Como dizia ‘Charb’ [diretor do Charlie Hebdo] mais vale viver de pé do que morrer de joelhos”, assinalou o estudante Jean Charles Hubac. Na manifestação de apoio estiveram também o autarca Rui Moreira, os vereadores do executivo, o cônsul geral de França no Porto, Patrick Howlett-Martin, e o diretor do Porto Cartoon, Luís Humberto Marcos. Sobre Wolinski, Humberto Marcos lembrou que “ele era um génio do humor, da ironia, que amava o Porto e que sabia defender intransigentemente a liberdade de expressão [e] de imprensa”.

A iniciativa “louvável” da Câmara do Porto mereceu uma nota de agradecimento do embaixador de França em Portugal que louvou a autarquia pela sua contribuição para a “defesa da liberdade e do espírito crítico que alguns querem matar”. Jean-François Blarel recordou mesmo a “grande amizade” que existia entre o cartoonista Georges Wolinsky, a cidade do Porto e o seu festival Porto Cartoon.

O ataque de quarta-feira ao jornal satírico francês Charlie Hebdo foi executado por homens armados que entraram na sede em Paris, causando 12 mortos e 20 feridos, de acordo com as autoridades francesas. Além de Georges Wolinski, foram confirmadas as mortes do cartunista e diretor do semanário, Stéphane Charbonnier (Charb), e de outros dois dos principais cartunistas do semanário, Jean Cabut e Tignous (pseudónimo de Bernard Velhac). O economista Bernard Maris, investigador, que fez parte do Banco de França, foi também morto no atentado.

O semanário satírico tinha já sido ameaçado por integristas islâmicos por reproduzir caricaturas de Maomé originalmente publicadas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten em 2005.