O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, disse hoje ao secretário de Estado norte-americano John Kerry que o governo de Kiev ataca “constantemente” as cidades com artilharia pesada.

Os disparos de artilharia registados no sábado contra a cidade ucraniana de Mariupol fizeram 35 mortos e pelo menos 95 feridos, entre a população civil.

“Sergei Lavrov disse que a escalada da situação é resultado das violações dos acordos de Minsk pelas tropas ucranianas que usam artilharia constantemente contra zonas habitadas”, refere um comunicado difundido hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia sobre a conversa telefónica entre Lavrov e John Kerry.

“Lavrov sublinhou que a Rússia está disposta a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para incentivar as partes a encontrarem uma solução pacífica” para o conflito agravado pelos ataques que atingiram a população civil em Mariupol e Donetsk, nos últimos dias.

Mesmo assim, o chefe da diplomacia de Moscovo refere que “resultados reais” só podem ser alcançados através do diálogo direto entre os separatistas de Donetsk e Lugansk acusando Kiev de ter optado “claramente” por usar a força militar no sudeste da Ucrânia.

Lavrov, no contacto com Kerry, voltou a pedir aos Estados Unidos para exercer influência sobre as autoridades da Ucrânia no sentido de “abandonarem” a solução militar para o conflito.

Pouco antes da divulgação do comunicado da diplomacia russa, o chefe de Estado da Ucrânia Petro Poroshenko voltou a afirmar que o “brutal ataque de artilharia” contra zonas residenciais de Mariupol foi levado a cabo pelos separatistas pró-russos e dispôs-se a provar as afirmações.

Poroshenko manteve na noite de sábado uma conversa telefónica com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em que foi acordada a união de esforços no sentido de aumentar a pressão internacional sobre Moscovo.

A diplomacia ucraniana está a trabalhar para conseguir endurecer as sanções económicas contra a Rússia que é acusada pela Ucrânia de apoiar os separatistas que são acusados do recente ataque contra a cidade de Mariupol.

Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que cumpre uma visita oficial à Índia, disse ser preciso “encontrar soluções”, referindo-se à imposição de sanções contra Moscovo em cooperação com a União Europeia.