“Tal como quando se parte para uma exploração arqueológica, nunca sabemos a dimensão do tesouro que vamos encontrar”. É com esta mentalidade que Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças da Grécia, parte para aquela que define como “a prioridade número 1” do governo, o combate à corrupção e evasão fiscal. O grego diz que “quem sabe poderemos encontrar um grande tesouro. A questão é se teremos os meios para o fazer”.

Em entrevista ao canal financeiro norte-americano CNBC, Yanis Varoufakis rejeitou a ideia de que o governo que integra tenha feito uma “inversão de marcha”, tendo em conta as promessas eleitorais do Syriza e as declarações dos primeiros dias após as eleições. “Não fomos eleitos para ter um choque com os nossos parceiros, fomos eleitos para renegociar o acordo que a Grécia tem com os seus parceiros”, defendeu o grego. “O que é uma negociação? É uma tentativa de encontrar um compromisso”, acrescentou.

O governo grego entregou na noite de segunda-feira um plano de reformas que terão de ser detalhadas até final de abril. O plano tem como ponto primeiro o combate à evasão fiscal e à corrupção como primeiro ponto e, tanto à CNBC como em entrevista radiofónica à Real FM esta quarta-feira, Varoufakis diz que “esta é a melhor aposta” do governo para melhorar a sociedade grega e garantir os recursos necessários para os investimentos públicos e apoios sociais pretendidos.

O que Varoufakis não sabe, ao certo, é quanto dinheiro esta missão pode render aos cofres do Estado. “Quanto dinheiro esperamos? Não sabemos. Tal como quando se parte para uma exploração arqueológica, nunca sabemos a dimensão do tesouro que vamos encontrar”, afirma o responsável. “Esperamos encontrar, quem sabe, um grande tesouro, mas tenho a certeza de que será um tesouro”, notou à CNBC, acrescentando que “a questão é se teremos os meios para o fazer”.

O Observador debruçou-se sobre o tema da corrupção e evasão fiscal num Especial intitulado “Como se vai pôr os gregos a pagar impostos?” e publicado na noite de terça-feira.

Está a ver a Europa a arriscar a dissolução por causa de uns milhares de milhões?

O acordo para estender o contrato entre a Grécia e os credores externos foi concluído pelo Eurogrupo na terça-feira, mas falta saber como se garantirá as necessidades de financiamento necessárias para estes quatro meses, um período que “vai servir para restabelecer a relação de confiança com os nossos parceiros”, diz Varoufakis. O ministro das Finanças diz, no entanto, não estar preocupado.

“Quando existe um problema de cash flow (tesouraria), mas quando os dados de longo prazo são bons, estou certo de que a Europa saberá lidar com este problema”, afirmou Varoufakis, deixando a questão ao jornalista da CNBC: “Está a ver a Europa a arriscar a dissolução por causa de uns milhares de milhões?”

Na entrevista à estação grega de rádio Real FM, Varoufakis passou a mesma mensagem, deixando claro que “a Grécia vai continuar a cooperação com a União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI)”.