Foi divulgada uma gravação em que Mohammed Emwazi, o carrasco do Estado Islâmico, nega ser extremista e em que considera o 11 de setembro como algo “errado”. As declarações, gravadas em 2009, foram feitas depois de Emwazi ter sido deportado da Tanzânia e questionado pelos serviços secretos britânicos, refere a BBC.
Na gravação, feita por Asim Quereshi, diretor de investigação do grupo de advogados Cage, “Jihadi John” diz que tem vindo a ser ameaçado pelo MI5 e acusa os seus agentes: tentaram por “palavras na minha boca”.
Nos vários encontros que teve com os advogados da Cage, Emwazi disse que viajou até à Tanzânia para fazer um safari, mas que lhe foi negada a entrada. De acordo com a Cage, o britânico apanhou então um avião para Amesterdão, onde foi recebido e interrogado por um agente do MI5 e por um membro dos serviços secretos holandeses.
Convencidos de que Enwazi pretendia viajar para a Somália e não para a Tanzânia, os dois agentes conduziram-no para uma cela, onde foi questionado. Na conversa gravada por Quereshi, Emwazi conta que o agente — que se chamaria “Nick” — olhou para ele e disse “ainda acredito que vais para a Somália para seres treinado”. “Eu disse: ‘depois de te ter dito que o que está a acontecer é extremista, ainda sugeres que seja um extremista?'”, pode ouvir-se na gravação. “Ele tentou por palavras na minha boca”, acrescentou ainda.
Na mesma gravação, a que a BBC teve acesso, “Jihadi John” acusou os agentes do MI5 de o terem “ameaçado”. “Vamos manter-te debaixo de olho, Mohammed. Temos vindo a manter”, disseram-lhe. O agente “Nick” ter-lhe-ia perguntado o que é que ele achava do 11 de setembro, da guerra no Afeganistão e dos atentados de sete de julho em Londres.
A estas perguntas, Enwazi respondeu que “pessoas inocentes” tinham sido mortas em Londres e que o atentado tinha sido um “extremismo”. Para além disso, disse ainda que o 11 de setembro tinha sido “errado”. “O que é querem que diga?”, perguntou aos agentes. “Se tivesse como trazer aquelas vidas de volta, fá-lo-ia”.