A Grécia tem alguma margem para gerir a tesouraria restante mas as suas reservas atuais não deverão durar mais do que três semanas, ou seja, até ao final do mês de março. Os cálculos são de fonte europeia citada pela agência Bloomberg, no dia em que decorre mais uma reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo, uma reunião que será para falar de “progressos” e não de “desembolsos”. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, diz que é preciso “parar de perder tempo”.

Não é provável que Atenas venha a receber os 1,9 mil milhões que os bancos centrais da zona euro tiveram em lucros com a compra de dívida grega no auge da crise (dívida comprada a preços baixos que, entretanto, chegou à maturidade e foi paga na íntegra). Tendo em conta esta expectativa, transmitida por fonte europeia citada esta segunda-feira pela Bloomberg, não deve restar nos cofres de Atenas mais do que o suficiente para satisfazer as necessidades de financiamento das próximas três semanas.

O cálculo demonstra a urgência da situação que Atenas está a viver, numa altura em que está a fazer tudo por tudo para pagar o reembolso de 350 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), esta semana, e continuar a financiar as atividades do Estado. A Grécia tem um desembolso de 7,2 mil milhões de euros pendente, que corresponde à última tranche do segundo programa de assistência, e não deverá ser nesta reunião dos ministros das Finanças da zona euro que essa situação se irá desbloquear.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, diz que apesar das últimas medidas apresentadas pelo Ministério das Finanças da Grécia, não foi ainda feito o suficiente para que a última avaliação possa dar-se como concluída. As medidas estão “longe de estarem completas”, disse nas últimas horas o holandês, líder do Eurogrupo. “Não iremos aceitar os 30% [do programa] que eles queriam substituir, e os gregos sabem bem disso”, atirou Jeroen Dijsselbloem.

Dijsselbloem afirmou ainda que nas últimas semanas “não houve progressos” reais, uma vez que as “negociações de verdade não começaram” e que é necessário “parar de perder tempo” quanto às medidas que a Grécia deve implementar para o fecho do atual programa de resgate.

Schäuble: “Não tem acontecido muita coisa na Grécia”

À entrada para a reunião do Eurogrupo, quem também comentou a situação da Grécia foi o ministro das Finanças da Alemanha, que lamentou que “não tem acontecido muita coisa na Grécia”. O responsável adiantou, contudo, que a Grécia não é o principal tema em discussão na reunião desta segunda-feira dos ministros das Finanças. O alemão alertou, no entanto, que a Grécia deve evitar quaisquer medidas que sejam “desequilibradas” por atenderem apenas a um dos lados envolvidos.

Um economista do Berenberg Bank, Christian Schulz, escreve em nota enviada aos clientes que “o novo governo grego continua a danificar gravemente a confiança dos seus parceiros europeus, a única fonte viável de financiamento de curto prazo para manter a Grécia a salvo da bancarrota e dentro da zona euro”. Nesta altura, diz o especialista, é uma “virtual certeza que a Grécia necessitará de um novo resgate de grande dimensão no verão”.

Já o ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, considera que a Grécia “tem feito progressos significativos” e que “chegou a hora de os trabalhos passarem para o plano técnico”.

No final da semana passada, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, enviou uma carta ao presidente do Eurogrupo com um conjunto de medidas que Atenas pretende implementar e que passam por planos para arrecadar mais impostos combatendo a fraude fiscal, redução da burocracia e medidas sociais.

Numa entrevista publicada no domingo pelo diário holandês Volkskrant”, o presidente do Eurogrupo disse que não acredita que o dinheiro para a Grécia seja desbloqueado ainda este mês, uma vez que ainda são necessários que sejam realizados “alguns passos” por parte do Governo grego.

Já noutra entrevista, ao Financial Times, Dijsselbloem tinha afirmado que se a Grécia começar desde já a implementar as medidas exigidas pelos credores pode receber financiamento de emergência tendo em conta os importantes compromissos financeiros a que tem de fazer face em breve.

Da reunião de hoje não se espera que saia qualquer acordo definitivo, mas um entendimento para continuar a trabalhar e aproximar posições.

Segundo um alto responsável do Eurogrupo, neste encontro será feito um ponto da situação sobre os progressos realizados ao nível técnico com vista ao relançamento formal das negociações entre as autoridades gregas e as instituições, mas advertiu que para já os progressos foram poucos, razão pela qual os ministros ainda não estarão em condições de analisar de que modo a Grécia pretende implementar as reformas com que se comprometeu.