A Grécia está a recorrer às reservas financeiras dos fundos de pensões públicos, através de operações complexas (repo), para financiar o Estado e escapar a um incumprimento já em março, algo que o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, garantiu que não irá acontecer. Esse apoio dos fundos públicos já foi importante num leilão de dívida a seis meses realizado esta quarta-feira, uma operação que foi concluída à custa do pagamento da taxa mais elevada em quase um ano.

Fontes da agência que gere a dívida pública grega confirmaram à Reuters que a Grécia está a utilizar recursos dos fundos de pensões públicos e a tesouraria das entidades públicas para financiar o Estado para satisfazer as necessidades de março, um mês em que só ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a Grécia tem de pagar cerca de 1,5 mil milhões de euros.

Além de estar a adiar pagamentos a fornecedores – o que não é uma medida livre de impacto na economia –, o Governo grego montou um esquema de acordos de recompra, contratos que na gíria financeira são conhecidos como repo, em que excessos de tesouraria de empresas públicas e recursos de fundos de pensões estão a ser utilizados no âmbito de operações de curto prazo em que os fundos devem ser repostos num máximo de 15 dias, segundo as fontes citadas pela Reuters.

São escassos os investidores estrangeiros dispostos a investir em dívida grega neste momento. E mesmo os bancos gregos estão limitados pelo máximo que o BCE permite que se utilize este tipo de títulos para obter novo financiamento junto do banco central. A este propósito, uma das medidas pelas quais o governo de Atenas está a lutar é o aumento desse limite, o que permitiria ao Estado emitir mais dívida de curto prazo, a subscrever pelos bancos gregos, para garantir o financiamento da Grécia no curto prazo.

Na impossibilidade, pelo menos para já, de contar com uma maior participação dos bancos gregos nas operações de financiamento, o Estado grego teve de contar com fundos de pensões públicos para garantir a colocação de 1,14 mil milhões de euros em dívida a seis meses. Os títulos foram vendidos a um preço que pressupõe uma rendibilidade de 2,97%, mais do que os 2,75% de uma operação de financiamento realizada no início de fevereiro. Foi o juro mais alto desde abril.

Uma estratégia semelhante foi seguida pelo Governo português nas semanas que antecederam o pedido de resgate internacional, em abril de 2011. Na altura, foi noticiado que o Fundo de Capitalização da Segurança Social teria participado (pelo menos indiretamente) em vários leilões de dívida pública, incluindo o que foi feito na manhã de 6 de abril de 2011, o dia do pedido de ajuda.