No que diz respeito a teorias, há-as sobre tudo e para todos os gostos. Sobre coisas e monumentos que já datam de há muitos milhares de anos, as ideias são abundantes e variadas. Stonehenge não é exceção. O curioso conjunto circular de pedras pré-históricas é, desde há muito, alvo de especulação e estudo, e a mais recente ideia sobre o monumento aí está: o que hoje vemos não passaria do suporte para uma plataforma em madeira onde se realizavam cerimónias religiosas.

Quem o defende é Julian Spalding, escritor, crítico de arte e ex-diretor de diversos museus britânicos, que esta segunda-feira publica um livro onde desenvolve a teoria de que Stonehenge seria, nas suas próprias palavras, “uma antiga Meca sobre pilares” (“an acient Mecca on stilts“, no original). Escreve Spalding no seu livro:

“Stonehenge era, muito provavelmente, um altar circular elevado, em madeira, imensamente fortificado pelo acrescento das pedras, o que lhe permitia sustentar o peso de milhares de crentes, que ali iam provenientes dos quatro cantos do reino que servia – uma antiga Meca sobre pilares.”

É uma teoria inédita e que contrasta muito com as outras já apresentadas sobre o Stonehenge, monumento pré-histórico situado em Wiltshire, Reino Unido, que é uma das maiores atrações turísticas e científicas do país. A mais famosa teoria é a de que aquele local servia para a celebração dos solstícios, o que leva todos os anos milhares de pessoas a fazer uma festa semelhante, ao jeito dos antigos druidas. Mas há outras: seria um cemitério, um local com poderes curativos mágicos, um monumento assombrado, etc.

“Todas as interpretações até à data podem estar erradas, no entanto – consequência de olhar na direção errada”, escreve Spalding no livro “Realisation”, que tem excertos disponíveis gratuitamente no Google Books. “As atuais teorias sobre Stonehenge baseiam-se em olhar ao nível do chão, o que é um ponto de vista materialista e moderno; não em olhar para cima, para o céu, que era a nossa perceção antiga”, lê-se.

Mais à frente, o autor afirma que “as pessoas que construíram Stonehenge nunca teriam feito cerimónias celestiais no chão. Isso seria inacreditavelmente insultuoso para os seres imortais, porque os traria do alto do céu para comer pó e pisar estrume.”

Qual é então a validade da proposta de Julian Spalding? As posições dos arqueólogos que estudam Stonehenge são cautelosas. O jornal Guardian ouviu três. Para Vincent Gaffney, professor da Universidade de Birmingham e um dos principais investigadores do mapeamento digital do monumento, a teoria de Spalding merece “um grande grau de ceticismo”. Já para Barry Cunliffe, antigo professor de arqueologia europeia em Oxford, a teoria talvez faça sentido, mas não há provas que a sustentem. Aubrey Burl, arqueóloga que o jornal descreve como uma autoridade em monumentos circulares em pedra, está aberta à discussão da nova teoria. “Qualquer coisa nova sobre Stonehenge vale a pena ser vista, mas com cuidado”.

Como que a comprovar as suas palavras, as descobertas sobre Stonehenge não param. Ainda em setembro passado, os cientistas de Birmingham ficaram a saber, através do tal mapeamento digital, que por baixo das pedras existentes à superfície, existem muitas outras, que formam um complexo conjunto.