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A taxa Euribor a três meses baixou esta terça-feira para um valor inferior a zero – -0,001% –, uma situação inédita na História da zona euro e que ilustra o impacto das medidas de estímulo monetário por parte do Banco Central Europeu (BCE), designadamente a compra de títulos de dívida e o facto de a taxa dos depósitos definida pelo BCE [a taxa a que o BCE remunera os depósitos da banca] estar, também, num valor negativo (-0,2%).

Na prática, o que isto significa é que os bancos da zona euro estão a ser pagos para “tomarem conta” da liquidez uns dos outros. A taxa Euribor é fixada diariamente a partir da remuneração que os bancos pagam nas operações interbancárias, ou seja, nas transferências de recursos entre várias instituições.

As taxas Euribor têm baixado, progressivamente, para terreno negativo em vários prazos mais curtos mas esta é a primeira vez que um dos indexantes ao crédito mais comuns desce para taxa negativa. São produzidas Euribor para os prazos de uma e duas semanas e um, dois, três, seis, nove e doze meses. Na prática, as Euribor são as taxas a que os bancos da zona euro estão dispostos a emprestar dinheiro entre si para aqueles prazos.

“O excesso de liquidez continua a fazer fluir para o sistema cada vez mais recursos, devido ao programa de estímulos do BCE”, explica à Bloomberg um analista da JPMorgan Chase. “Os bancos dão por si inundados com depósitos mas têm de pagar ao BCE para colocar lá o dinheiro [devido à taxa dos depósitos estar negativa]”, pelo que preferem emprestar uns aos outros” para não ter uma rendibilidade tão negativa. A taxa dos depósitos está negativa em 0,2%.

Este é um tema sobre o qual o Observador se tem debruçado desde o início de março, altura em que arrancou o programa de estímulos do BCE. Leia mais aqui sobre como lidar com o seu banco, caso tenha crédito indexado a esta taxa, e também a opinião do Banco de Portugal sobre a prática a adotar pelos bancos perante esta situação inédita.

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