O Presidente da República reforçou na tarde desta terça-feira a ideia de que o crescimento económico em 2015 pode chegar aos 2%, sublinhando que os indicadores qualitativos que vão chegando apontam nesse sentido.

“Quando faço discursos oficiais menciono as previsões oficiais, embora de acordo com as informações qualitativas que nos vão chegando cada vez há mais economistas a dizer que Portugal pode registar no ano de 2015 uma taxa de crescimento de 2%. A Universidade Católica já avançou com esse número numa publicação que fez”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa conversa com os jornalistas em Bergen, na Noruega, país que está a visitar oficialmente até quarta-feira.

É que de manhã, o Presidente da República, perante empresários noruegueses, tinha dito que as projeções apontam para um crescimento da economia portuguesa de 1,7% em 2015. E “reviu em alta” as suas previsões à tarde, voltando a repetir o que dissera há dois meses.

Em Paris, durante uma visita à OCDE, o chefe de Estado tinha afirmado que a taxa de crescimento da economia portuguesa em 2015 poderia chegar aos 2% devido à quebra do preço do petróleo e à depreciação do euro.

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Questionado se a afirmação que tinha feito esta manhã significava que estava mais pessimista, Cavaco Silva insistiu que a Universidade Católica através do seu gabinete de análise económica – “um gabinete altamente reputado – já “escreveu preto no branco que esperava um crescimento económico no ano de 2015 de 2%”.

“Eu compreendo essa previsão na medida em que os indicadores qualitativos que nos vão chegando apontam nesse sentido, mas muito em breve nós ficaremos a conhecer os números do INE [Instituto Nacional de Estatística] relativamente ao crescimento económico no primeiro trimestre deste ano”, acrescentou.

Relativamente ao défice orçamental, o Presidente da República lembrou que a previsão do Governo é de 2,7%, escusando-se a comentar o que as instituições europeias possam dizer em relação a esse objetivo.

“Estamos apenas no início do segundo trimestre deste ano, vamos aguardar os resultados que surgirão já mais lá para o fim”, declarou, enquanto promovia as empresas portuguesas e chamava a atenção para investimentos em Portugal, sempre com o bacalhau, que Portugal pesca nos mares da Noruega, em pano de fundo.

Ainda esta terça-feira, o Presidente da República escusou-se a comentar a sua atuação durante as negociações entre a coligação e o PS no verão de 2013, sublinhando que só irá escrever as suas memórias quando deixar Belém.

“Só escreverei as minhas memórias depois de 9 de março de 2016”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva quando questionado sobre críticas deixadas na biografia autorizada do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que é lançada esta terça-feira, em Lisboa.

No livro, intitulado “Somos o que escolhemos ser”, e num capítulo dedicado à crise do verão de 2013 e às negociações promovidas pelo Presidente da República entre PSD, PS e CDS-PP, a autora Sofia Aureliano, assessora do grupo parlamentar do PSD, escreve que Cavaco Silva “deixou o Governo em banho-maria durante os vinte dias de estéril negociação com o Partido Socialista, cujo desfecho era, desde o início, absolutamente previsível”.

De acordo com uma passagem do livro recuperada pelo Expresso, o facto de Cavaco Silva se ter recusado a dar posse ao Governo remodelado após a crise que se seguiu ao pedido de demissão de Paulo Portas, no verão de 2013, é criticado pela biógrafa.

“Três dias depois da colossal crise Pedro Passos Coelho estava em condições de apresentar ao Presidente da República uma solução de estabilidade governativa. Mas, surpreendentemente, Cavaco não ficou convencido. E insistiu numa tentativa de acerto com o PS (…) que causou estranheza”, escreve a biógrafa.

Em junho de 2013, o Presidente da República propôs ao PS e aos partidos da coligação que mostrassem “disponibilidade para iniciarem conversações com vista a um compromisso de salvação nacional”, negociações que terminaram sem qualquer acordo.