O antigo presidente egípcio, Mohamed Morsi e cerca de uma centena de membros da Irmandade Muçulmana foram condenados à pena de morte este sábado por um tribunal egípcio. Em causa estão crimes de espionagem e de evasão, durante a revolta de 2011 que aconteceu no contexto da Primavera Árabe.

Morsi e vários membros da Irmandade Muçulmana foram a tribunal acusados de terem divulgado informações secretas e de conspirarem em conjunto com potências estrangeiras para levarem a cabo atos de terrorismo no Egito. Num outro processo, o antigo presidente e outros 130 arguidos, que incluem dezenas de membros do Hamas e do Hezbollah (movimentos associados à causa da Palestina), foram acusados de evasão e de terem atacado as forças policiais durante a revolta contra Hosni Mubarak, em 2011.

A decisão, tomada pelo juiz Shaaban el-Shami e transmitida na televisão, não é ainda definitiva. A execução está sujeita a um parecer não vinculativo por parte da autoridade religiosa do Egito, conhecida por “Muffi”, um procedimento habitual no caso de condenações à pena capital.

A decisão já foi criticada pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que garante que o país voltou ao “Egito Antigo”.  Durante um comício em Istambul, Erdogan acusou ainda o “ocidente de fechar os olhos” ao golpe de estado que afastou Morsi do poder, em 2013.

A Amnistia Internacional (AI) também criticou a sentença, defendendo que o veredicto reflete “o estado deplorável do sistema de justiça criminal do país”. “A pena de morte tornou-se no instrumento favorito das autoridades egípcias para purgar a oposição política”, disse Said Boumedouha da AI, citado num comunicado.

Morsi já tinha sido condenado a 20 anos de prisão, num primeiro processo relacionado com a morte de vários manifestantes à porta do palácio presidencial no Cairo, em dezembro de 2012, quando era ainda presidente. O antigo presidente está ainda a ser julgado por outras acusações, que incluem insultos dirigidos aos Tribunais e atos de espionagem para o Qatar.

Mohamed Morsi, o primeiro presidente eleito de forma livre no Egito, foi deposto por um golpe militar em julho de 2013, na sequência de vários protestos que exigiam que fosse removido do cargo, acusado de promover uma política divisionista com base na religião.