Marcelo Rebelo de Sousa está preocupado com o futuro da Grécia. O comentador considera que nem o país nem a União Europeia têm estado bem nas negociações sobre o futuro da economia e das finanças gregas, o que, no seu entender, pode ser perigoso, especialmente se a Grécia acabar por sair do euro.
“Estão mal de um lado e de outro”, começou por dizer Marcelo no espaço de comentário político onde marca presença todos os domingos na TVI. Logo de seguida, disparou sobre a Grécia:
“Os governantes gregos estão de uma teimosia que ultrapassa todos os limites. Atinge quase uma posição suicida. Estão a esticar, a esticar, a esticar, sabendo que não podem optar porque não têm efeito de arrastamento e não tiveram solidariedades em torno da sua posição. Deviam maleabilizar um bocadinho a sua posição”.
A Europa, contudo, também não saiu incólume e Marcelo alertou para aquilo que considera serem os perigos do falhanço das negociações. “A Europa, de vez em quando, penso que se esquece que há ali [um perigo]”, disse, alertando que caso a Grécia deixe de usar o euro como moeda. “É um precedente grave para a zona euro, é um precedente grave para a UE”, insistiu. E também geopoliticamente, “porque a Grécia está onde está, perto de cenários muito complicados, onde a Europa não mete a mão e não arrisca nada”, um eventual fracasso das negociações seria prejudicial.
Rui Rio? “Nada de novo a Oeste”
Num comentário marcado pelo desapontamento de Marcelo enquanto adepto do Sporting de Braga, o professor dedicou algum tempo ainda a outros temas da atualidade. Foi o caso da polémica sobre a Segurança Social, que Marcelo tinha considerado um tiro em falso da ministra das Finanças no domingo passado. Uma semana e muita controvérsia depois, “a melhor correção do tiro foi, ironicamente, de Passos Coelho”, disse Marcelo, que elogiou o primeiro-ministro por ter dito, este sábado, que o programa de Governo da coligação não teria nada concreto sobre este tema, à espera de um eventual acordo com o PS. “É uma coisa sensata”.
Sobre a noticiada intenção de Rui Rio apresentar uma candidatura presidencial já em junho, o comentador não se alongou. “Nada de novo a Oeste”, disse, considerando que já se sabia que Rio andava a estudar a hipótese. “A única novidade foi a forma como os dois partidos” da coligação se demarcaram da eventual candidatura.