Rádio Observador

Presidenciais 2016

Marcelo Rebelo de Sousa. Avanço de Rui Rio “não condiciona” outros candidatos à direita

Marcelo Rebelo de Sousa defende que o avanço de Rui Rio não condiciona outras candidaturas à direita. E considera que Maria de Belém vai perder força se Costa for eleito primeiro-ministro.

© Hugo Amaral/Observador

Marcelo Rebelo de Sousa mantém o tabu sobre uma candidatura presidencial, mas considera que o “provável” avanço de Rui Rio não vai condicionar outros candidatos à direita. No seu habitual comentário semanal na TVI, e quando questionado sobre se o avanço de Rui Rio, antecipando-se aos restantes, vai condicionar outras candidaturas à direita, Marcelo responde: “É nulamente provável que condicione a estratégia” das outras candidaturas, que, sublinha, se “multiplicam”.

“Se há lógica na política, a coligação, se for prudente, não apoia nenhum dos candidatos. Alguns deles, admitindo que todos avançam e que mais algum surja, vão ter que desistir para o melhor posicionado na primeira volta das presidenciais”, concluiu Marcelo.

À esquerda, nas últimas semanas, Maria de Belém tem sido apontada com insistência como candidata do Partido Socialista às presidências de 2016, no entanto, António Costa não garantiu o seu apoio à ex-presidente do partido — nem a qualquer outro dos nomes presidenciáveis, seja Sampaio da Nóvoa, seja Henrique Neto.

Marcelo Rebelo de Sousa não crê que Maria de Belém tenha “espaço” para ser candidata. Não com António Costa na liderança. “Eu penso que [Maria de Belém] tem hipóteses se António Costa perder as eleições [legislativas]. Se perder, ficar em causa a sua liderança. E há ‘seguristas’ que não aceitam o seu virtual apoio a Sampaio da Nóvoa, e, aí sim, Maria de Belém tem hipóteses.”

“Passos Coelho percebeu que o aumento dos descontos da ADSE é um problema”

Deixando de lado as presidenciais, mas ainda na política nacional, Marcelo Rebelo de Sousa comentou as conclusões da auditoria sobre o aumento dos descontos para a ADSE que o Tribunal de Contas considerou excessivo e tendo finalidade financiar o Estado. “O primeiro-ministro percebeu que é um problema e admitiu na entrevista [à SIC, terça-feira] baixar a contribuição”, relembrou Marcelo.

Questionado sobre se este é um aumento para “tapar buracos”, não tem dúvidas: “Já na altura (em 2014) dava-me a vaga sensação que é um imposto. O Governo diz que não, que é só para utilizar na ADSE. O primeiro-ministro percebeu que é um problema e admitiu já que a contribuição pode baixar.

O problema é que houve, neste período de tempo, cortes de comparticipações em medicamentos oncológicos, sacrifícios efetivos em áreas sensíveis da política de saúde. Os portugueses não podem ficar com a impressão de que houve estes cortes — porque teve de ser –, e no que toca à ADSE — que é uma coisa diferente e as pessoas misturam tudo –, aquilo é gerido de tal maneira que fica ali uma ‘almofada’, e que podia não ter ficado como beneficio para os que descontaram.”

Marcelo Rebelo de Sousa deixou ainda uma sugestão. “Porque é que não se aplicou um regime especial como se aplicou a contribuição extraordinária?! Se a contribuição der mais do que ‘x’, devolve-se. Na ADSE devia ser assim. Teoricamente. A não ser que se diga que tem problemas de sustentabilidade.”

Grécia: a ameaça russa onde Obama se “atravessou”

A nível internacional, de novo e sempre a questão grega no comentário semanal do professor à TVI. Após a votação (e aprovação) do acordo com os credores no Parlamento grego, Tsipras remodelou parte do governo de coligação Syriza/Gregos Independentes, mas, ao contrário do que seria de esperar, a coligação não perdeu força nas sondagens, e mantém-se à frente com uma maioria de 60 por cento. “Não há uma alternativa a Tsipras, por muito que a Europa quisesse inventar uma: inventou o Antónis Samarás, da direita tradicional, ou o Papandreou, do PASOK, mas não conseguiu. O Tsipras conseguiu anular a concorrência.”

O acordo alcançado, considera Marcelo Rebelo de Sousa, não foi económico, mas geopolítico. “Os Estados Unidos tiveram duas vitórias [na última semana]: uma na Grécia, outra com o Irão. Os americanos atravessaram-se lá. Os países bálticos estavam contra o acordo com Atenas, o presidente polaco também, a Alemanha também. Os Estados Unidos sabiam que seria um drama a Grécia sair do euro.”

E tudo porque esse caos traria ameaças de leste e do radicalismo. “A Grécia está na fronteira com a Rússia, do outro lado está a Turquia, que está na fronteira para o islamismo muito radical, e isto tudo em volta do Mediterrâneo, que é uma área muito sensível. E a Merkel teve que dizer aos alemães que, com o que se passa ali em volta, não podia deixar cair a Grécia no caos. O preço pago pela Europa é barato comparado com o preço que seria o do caos. O caos traria o aumento da influência russa. E traria a proximidade de uma zona onde a Europa e os Estados Unidos estão com dificuldades em controlar o descontrolo.”, concluiu.

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