Cerca de duas mil pessoas tentaram entrar ilegalmente no Reino Unido na segunda-feira, através do túnel do canal da Mancha, perto de Calais. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, já reagiu e diz que a situação é “muito preocupante”. As declarações foram proferidas à margem de uma visita a Singapura.

“Trabalhamos em estreita colaboração” com as autoridades francesas para lidar com a situação, afirmou Cameron. O primeiro-ministro disse ainda que o governo do Reino Unido vai fazer tudo o que está ao seu alcance para combater a crise que se está a viver em Calais, conta a BBC.

Na terça-feira, o grupo Eurotúnel classificou o incidente como “a maior tentativa de incursão [de migrantes] do último mês e meio”. Na terça-feira à noite, foi encontrado um corpo no local e várias pessoas ficaram feridas ao tentar entrar no país.

“Não vale a pena tentar apontar o dedo e culpar os outros. Temos de trabalhar com França e implementar novas medidas de segurança, além dos investimentos que são necessários. O Reino Unido vai ter sempre a iniciativa”, disse David Cameron.

Um porta-voz do Home Office britânico, equivalente ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) disse que o investimento de cerca de 9,8 milhões de euros que foi autorizado no início do mês vai permitir pagar uma nova vedação de 1,6 quilómetros no Eurotúnel. Os trabalhos já começaram e estão previstos terminarem no final da semana.

A proximidade com o Reino Unido atrai anualmente para a localidade francesa de Calais muitos imigrantes que tentam atravessar de forma ilegal o Eurotúnel e chegar ao território britânico. Desde o início de junho, oito migrantes perderam a vida ao tentar entrar clandestinamente no túnel.

Segundo os últimos dados oficiais — divulgados no início de julho -, cerca de três mil migrantes, a grande maioria oriundos de países como a Etiópia, Eritreia, Sudão ou Afeganistão, estão acampados na zona de Calais para tentar atravessar o túnel sob o canal da Mancha.

O grupo Eurotúnel pede um montante de cerca de 9,7 milhões de euros aos governos britânico e francês, de forma a compensar as perturbações provocadas pelos imigrantes ilegais.