1. Ouvir sem ver abre espaço para a imaginação. No caso deste debate foi preciso imaginar muito para ver além de 4 de Outubro.

O primeiro debate foi sobre a hermenêutica do passado; este deveria ser sobre futuro e sobre aquilo que interessa ao futuro do pobre contribuinte. Ao fim de 20 minutos ainda discutiam fantasmas. Ainda assim, foi bem melhor e mais esclarecedor: Costa sempre mais “político”, Passos sempre um tecno-político. Costa mais demagógico e menos bem preparado, Passos mais explicativo. Costa menos tenso, Passos mais agressivo.

Se no primeiro debate Costa voltou ao mundos dos vivos, neste Passos demonstrou que está bem vivo.

2. Refugiados: generalidades, ou a arte do possível. Temos Bloco Central.

3. Economia/emprego: um momento divertido, animado, mas sem uma única ideia que se retenha (sobre Costa: “combater a precariedade” é um slogan vácuo, as fórmulas legais de cessação de contratos de trabalho são imperceptíveis, “emprego digno” é uma abstração socialista); (sobre Passos: a insistência no passado, estabilidade nas leis laborais, “qualificação mais elevada”, generalidades diversas e uma agressividade saudável, mas com uns dias de atraso).

4. Impostos: repetição argumentos conhecidos. O “neoliberal” Passos não garante redução da carga; o socialista Costa imagina países.

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5. Prestações sociais: o pior momento de António Costa; demonstra alguma dificuldade em descer ao concreto/real e explicar o que lhe vai na alma e no programa. Passos aproveita para dar mais uma aula e aproveita bem impreparação de Costa.

6. Segurança Social:  Costa que alterar o modelo de financiamento da segurança social lançando um novo imposto para as empresas. A proposta arrepia. Passos acaba a concordar.

7. Educação: Costa aproveitou bem numa das áreas mais complicadas da governação Passos.

8. A grelha de avaliação reflete tudo isto: áreas de governação essenciais, solidez da proposta e, inevitavelmente, a capacidade de fazer passar uma ideia.

Aqui fica o resultado. E uma moral destas histórias: Pedro Passos Coelho e António Costa – ou melhor, PSD e PS -, independentemente do que o bom povo vier a decidir, têm uma missão: exige-se que encontrem soluções de Governo que não deitem ao lixo quatro anos de ajustamento. Costa peca por prometer o que não tem, Passos por não prometer.  Algures por aí estará o equilíbrio das coisas.

Passos Costa
Economia/Emprego 13 13
Estado Social/pensões 15 12
Saúde 0 0
Europa 11 11
Educação 13 14
Impostos 12 12
Reforma do Estado 0 0
Índice soundbyte 14 13
Índice demagogia (inverso) 15 13
Linguagem 14 14
TOTAL (média) 10,7 10,2

* Vítor Cunha é consultor de comunicação

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