Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

As eleições legislativas em Espanha (ou generales, como por lá se lhes chama) serão muito provavelmente no dia 20 de dezembro, mas, a três meses da ida dos espanhóis às urnas para votar, as sondagens trazem mais incertezas que certezas. Ainda assim, o PSOE e o PP, que são, desde há vários anos, os partidos do chamado “arco da governação” no país vizinho, e depois do “terramoto” político que se revelaram as eleições europeias de maio, estão de volta a ao topo das sondagens, e volta a bipartidarizar-se a governação em Espanha.

Mas vamos ao resultados da sondagem que a Metroscopia realizou para o El País, hoje divulgada em Espanha, e que foi realizada no começo de setembro. Se as generales fossem hoje, o PSOE de Pedro Sánchez seria o vencedor, logo seguido, de perto, pelo PP de Mariano Rajoy. Os dois partidos registariam 48% das intenções de voto. Atrás, o Podemos e o Ciudadanos, somadas as suas votações, ficar-se-iam pelos 34,7%. Uma coisa é certa, dê lá por onde der, com estes resultados, ninguém terá maioria, e esta só surgirá com o surgimento de coligações. Questionados sobre se essa é a melhor opção, 67% dos espanhóis inquiridos para esta sondagem respondem que “sim”, que legitimam uma coligação no governo.

Fonte: Metroscopia/El País

Fonte: Metroscopia/El País

Na realidade, e tendo em consideração que a margem de erro da sondagem é de 2,4%, o PSOE (24,6%) e o PP (23,4%) estão em empate técnico. Contudo, a boa notícia para os socialistas é que o PSOE está na liderança pelo segundo mês seguido — e regista a melhor votação desde o início de 2015. Por seu turno, o PP também sobe na sondagem de setembro, ainda que somente por três décimas em relação a julho. Um subida que os populares podem agradecer aos ligeiros ajustes que o primeiro-ministro Rajoy fez, em julho, no governo e no próprio PP.

Quanto a descidas, essas ficam por conta dos chamados partidos emergentes, pois tanto o Podemos como o Ciudadanos, se se comparar esta sondagem com a de há menos de um ano, em novembro de 2014, estão cada vez mais distantes de PSOE e PP. O Podemos, nessa altura, chegou mesmo a estar empatado (20% das intenções de voto) com os socialistas e os populares. Hoje, fica-se pelos 18,6%, tendo crescido meio ponto percentual desde a sondagem do verão. O Ciudadanos, que em abril chegou a ter 19,4% dos votos nas sondagens, está hoje com 16,1%, um ponto percentual acima do que registou em julho.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O “terramoto” (para o PSOE e para o PP, entenda-se) que foi a ascensão do Podemos nas eleições europeias e que trouxe Pablo Iglesias para os holofotes da política espanhola e europeia ter-se-á desvanecido com as dúvidas em relações às políticas de Tsipras na Grécia, por muito que, hoje, Iglesias e o Podemos se tentem distanciar do Syriza.

Em quinto lugar nesta sondagem hoje revelada pelo El País surge a Izquierda Unida de Alberto Garzón, com 5% das intenções de voto. É verdade que o partido regista menos 1,9 pontos percentuais do que nas legislativas de 2011, mas está, ainda assim, em posição de eleger deputados.