Pelo menos quatro pessoas morreram na República do Congo durante os confrontos entre populares e militares na manifestação, esta terça-feira, contra o referendo constitucional marcado pelo presidente Denis Sassou Nguesso.

O presidente do Congo, de 71 anos, marcou um referendo constitucional para o próximo domingo que vai permitir o mesmo estender a sua governação para um terceiro mandato. Sassou está neste momento no 2.º mandato, sendo que o primeiro durou de 1979 a 1992 tendo interrompido a presidência até 1997. Nesse ano voltou ao cargo e governa o Congo até hoje.

No total, o político ocupou a chefia do governo durante 31 anos. Agora, se a revisão constitucional for aprovada, o limite de dois mandantos por presidente vai deixar de existir, abrindo portas a Sassou para mais alguns anos na liderança do país africano.

Além disso, a atual Constituição prevê um limite de 70 anos para qualquer candidato presidencial. Essa regra vai também cair se as alterações forem aprovadas.

Assim, e na sequência desta decisão, milhares de protestantes juntaram-se nas ruas da capital, Brazzaville, onde queimaram pneus, montaram barricadas e levantaram cartazes onde se podia ler “Sassou get out” (Sassou vai embora) e “Sassou enough” (Sassou chega). Para além disso, nas redes sociais iniciou-se o movimento #sassoufit, para juntar aqueles que querem a saída do atual presidente do Congo. A polícia respondeu com tiros de caçadeira e gás lacrimogéneo. Desta situação resultaram 4 mortos e 10 feridos, como avança a Reuters. Para além disso os serviços de telefone e internet foram cortados em grande parte da cidade.

Os líderes que ocupam os cargos presidenciais durante décadas ou mesmo a vida toda não são um fenómeno raro no continente africano. Robert Mugabe, presidente do Zimbabwe, venceu as eleições de 2008 iniciando o sexto mandato consecutivo. No Ruanda, o Supremo Tribunal autorizou o presidente Paul Kagame a candidatar-se a um terceiro mandato. Já no Burundi, no passado mês de julho, Pierre Nkurunziza concorreu ao terceiro mandato apesar das manifestações populares que se estenderam por meses e de uma tentativa de golpe de estado.

Barack Obama chegou mesmo a apelar, durante a visita aos países da União Africana, aos líderes do continente que não se agarrem ao poder para deixar a democracia funcionar: “Ninguém devia ser presidente toda a vida. Não percebo porque é que as pessoas querem ficar tanto tempo – especialmente quando têm muito dinheiro.”