O Governo timorense inicia em novembro o processo de reformulação da toponímia de Díli com alterações nos nomes de dezenas de ruas e projetos-piloto em várias zonas da cidade, confirmou à Lusa o ministro da Administração Estatal.

Dionísio Babo, que é também ministro de Estado, Coordenador dos Assuntos da Administração do Estado e da Justiça, explicou à Lusa que uma primeira lista com 89 ruas foi já concluída.

“A resolução foi aprovada em Conselho de Ministros, vai ser publicada no Jornal da República e permitirá iniciar este processo”, explicou. “Nas placas, as ruas terão o seu novo nome e, por baixo, o nome antigo, para as pessoas conhecerem a história e não haver confusão no inicio”, disse ainda.

No caos das ruas principais “devem evocar tanto quanto possível as figuras de relevo nacional, considerando aqui que o conceito de mártires da pátria abrange e representa todos os que heroicamente pereceram na luta pela libertação nacional”.

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Datas de acontecimentos de “relevo nacional” para serem “reconhecidas pelas gerações futuras”, o uso de nomes que “perpetuem valores comuns a todas as nações democráticas” como liberdade ou direitos humanos e nomes de países ou cidades estrangeiras “ligados à vida da nação de Timor-Leste ou ao município de Díli” são outros critérios.

A resolução prevê que não sejam atribuídas designações antroponímicas com nome de pessoas vidas “salvo em casos extraordinários em que se reconheça que, por motivos excecionais, esse tipo de homenagem e reconhecimento deva ser prestado durante a vida da pessoa e seja aceite pela própria”. Estrangeiros ou palavras estrangeiras só serão usados se for “indispensável”.

Numa primeira fase a toponímia vai ser aplicada em seis sucos piloto, todos no centro da cidade: Colmera, Motael, Gricenfor, Vila Verde, Akadiruhun e Bidau de Lecidere.

Um processo, explica, que servirá para facilitar comércio e serviços e mobilidade urbana, aguardando-se “a criação de um serviço de distribuição postal” facilitando ainda a relação entre Estado e cidadãos especialmente no que toca a notificações. Entre as ruas já aprovadas contam-se a Avenida da Restauração, que liga o limite de Díli, a oeste e a rotunda do aeroporto, a Avenida Nicolau Lobato, desde aí até à frente do Porto de Díli, com a Rua de Malinamok a ligar a rotunda, para sul, para essa zona da cidade.

Entre o posto de combustível da Pertamina e a foz do Rio de Comoro é a Avenida Praia dos Coqueiros, que continua depois transformando-se em Avenida de Portugal, que prossegue até ao farol.

No cruzamento do farol, a Avenida de Portugal transforma-se em Avenida Motael, ao longo do mar, e, à direita na Rua dos Direitos Humanos, que continua para sul até à Avenida Nicolau Lobato. Entre o porto de Díli e a ponte de Bidau Sant’Ana passa a ser a Avenida Marginal.

Nas traseiras da igreja de Motael ‘nasce’ a Rua Karketu Mota-ain, o nome do reino desta zona, mantendo-se a rua de S. António. Entre as novas toponímias nasce a rua 25 de abril (nas traseiras do que será o edifício da Embaixada portuguesa e onde está a sede do BNU)

Outras das ruas mais destacadas incluem a Avenida Mártires da Pátria, a 20 de maio, que homenagem o dia da restauração da independência, a avenida D. Ricardo da Silva, D. Martinho Lopes e D. José Ribeiro (todos bispos de Díli), a Xavier do Amaral (proclamador da independência em 1975) e a Rua Palácio das Cinzas, onde esteve a primeira Presidência da República.

Rua Moçambique, a rua 10 de junho (para homenagear o levantamento de Marabia), a avenida 28 de novembro (dia da proclamação da independência em 1975), rua 12 de novembro (massacre de Santa Cruz) e a 30 de agosto (referendo de 1999) estão na lista já aprovada.