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A Transparência Internacional divulgou a lista dos 15 casos selecionados, a partir de 383 nomeações, como símbolos de grande corrupção que estão a votos no site da organização não governamental (ONG).

O caso Banco Espírito Santo (BES) é um dos eleitos. O colapso financeiro do banco e do grupo liderados por Ricardo Salgado em 2014, e as más práticas sistemáticas de gestão e de controlo interno, entretanto reveladas, são um dos argumentos que sustentam esta escolha.

No entanto, os responsáveis da ONG realçam também que o banco português terá, “alegadamente” ajudado políticos associados à corrupção em vários países, lembrando a conta que o ditador chileno, Augusto Pinochet, teve no banco do grupo em Miami, as ligações ao caso Mensalão no Brasil e as suspeitas sobre o envolvimento do banco do grupo na Líbia na transferência da fortuna de Muammar Gadhafi. Mais recentemente, houve suspeitas de créditos concedidos sem controlo e garantias pelo BESA (Banco Espírito Santo Angola) a figuras do regime angolano.

O caso BES está em investigação nos reguladores e na justiça portugueses e não só. Apenas o Banco de Portugal proferiu duas acusações contra os ex-gestores do banco e do grupo. Ainda não houve condenações.

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Na lista que está a votos desde hoje, o caso Banco Espírito Santo tinha apenas 17 votos. Com mais pontuação (709 votos) aparece outra história onde também se fala português. O caso Petrobras esteve na origem do super escândalo de corrupção no Brasil que, por sua vez, está na origem do processo de impugnação da presidente Dilma Roussef. Não será por acaso que é o segundo mais votado.

O caso que no Brasil, já foi chamado de Lavajato e Petrolão, começou com a descoberta de pagamentos inflacionados a fornecedores da Petrobras, em troca de subornos (a ONG refere dois mil milhões de dólares) a quadros da petrolífera controlada pelo Estado e a políticos.

Ligeiramente acima do BES, surge mais um nome familiar em Portugal. A empresária Isabel dos Santos, filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos, não está na lista por nenhum caso concreto de corrupção, mas pela combinação de dois fatores que entram em contradição: Isabel dos Santos foi considerada pela revista americana Forbes, a primeira bilionária de África, e é de Angola, país que segundo a Unicef tem a maior taxa de mortalidade infantil.

A fortuna de Isabel dos Santos estava avaliada em 2,4 mil milhões de dólares, com património em Angola, país liderado pelo seu pai, e Portugal (a empresária é acionista do BPI, da Nos e comprou recentemente a principal empresa da Efacec).

Do outro lado desta escolha está Angola, país que é um dos maiores produtores diamantes e de petróleo africano (e cuja economia tem sido muito penalizada pela queda dos preços do crude), mas onde dois terços da população vivem com menos de dois dólares por dia. A Transparência Internacional lembra ainda que Angola surge em 14º lugar no índice dos países onde a perceção internacional de corrupção é mais elevada.

Quando ainda faltam mais de 60 dias para votar, o claro vencedor desta competição é por agora Felix Bautista. O senador da República Dominicana tem uma longa lista de acusações: lavagem de dinheiro, abuso de poder, prevaricação e enriquecimento ilícito no valor de milhões de dólares, mas segundo a organização ainda não foi levado a julgamento.

O escândalo da FIFA (federação internacional de futebol) também aparece neste pódio, com referência a acusações aos seus dirigentes de desvios de milhões e a dezenas de inquéritos por branqueamento de capitais.

Eis a lista da Transparência International ordenada pela atual votação

  1. Felix Bautista, Senador da República Dominicana
  2. Petrobras (petrolífera brasileira)
  3. Viktor Yanukovych, antigo presidente da Ucrânia
  4. FIFA
  5. Isabel dos Santos, filha do presidente angolano
  6. Ricardo Martinelli e seus camaradas, ex-presidente do Panamá e seus aliados
  7. Banco Espírito Santo, gerido pelo banqueiro Ricardo Salgado
  8. Sistema político do Líbano, corrupção sistémica no governo, autoridades e instituições
  9. Estado americano do Delaware, um refúgio do segredo empresarial
  10. Akhmad Kadyrov Foundation, organismo checheno para o desenvolvimento económico e social
  11. Zine Al-Abidaine Ben Ali, ex-presidente da Tunísia
  12. Mohamed Hosni Mubarak, antigo presidente do Egito
  13. Myanmar Jade Trade, um dos maiores “assaltos” de recursos naturais (Jade) em Myanmar
  14. Teodoro Nguema Obiang, filho do presidente da Guiné Equatorial (país que é membro da CPLP)
  15. China Communications Construction Company, empresa estatal chinesa de construção

A Transparência Internacional é uma organização não governamental fundada em 1993 na Alemanha que tem como missão denunciar a corrupção a nível mundial. Entre as suas publicações regulares, contam-se o Barómetro Global de Corrupção e o Índice de Perceção da Corrupção.