A avaliar pelas últimas sondagens de novembro e dezembro da Aximage, Marcelo Rebelo de Sousa ganha as presidenciais à primeira volta. Com uma ligeira descida face a novembro (onde teve 56,9% das intenções de voto), a sondagem de dezembro agora divulgada pelo Correio da Manhã e Jornal de Negócios, põe Marcelo como o preferido de 54,6% do total de 605 inquiridos por via telefónica. Mas não é só à direita que o antigo comentador aparece como favorito: mais surpreendente é o facto de o professor ser também o preferido entre a maioria dos eleitores que votaram PS e Bloco de Esquerda nas últimas eleições.

Com Marcelo isolado na liderança, em segundo e terceiro lugar surgem os candidatos da área socialista Maria de Belém Roseira e Sampaio da Nóvoa, que aparecem longe do primeiro lugar mas muito próximos entre si: Maria de Belém com 13,4% das intenções de voto e o ex-reitor com 13,2%. Entre aqueles que votaram PS nas legislativas, o taco a taco também se repete, evidenciando o quanto os socialistas estão divididos neste tema: 22,6% deste universo opta por Maria de Belém, sendo que 22,3% do mesmo universo opta por Sampaio da Nóvoa. Já 23,9% opta por… Marcelo, o candidato que receberá nos próximos dias o apoio formal da direita.

Se entre os votantes do PSD e do CDS Marcelo surge como o candidato inquestionável, mais surpreendente é que a popularidade do ex-líder do PSD e comentador político também se verifica à esquerda. É que não é só entre o eleitorado do PS que está à frente, o mesmo sucede entre os votantes do BE, onde assume o lugar de destaque, com 18,3% das intenções de voto daqueles que votaram nos bloquistas, bastante à frente dos 10,1% de votos atribuídos à candidata oficial Marisa Matias.

No PCP não é bem assim, mas quase. Entre os que votaram CDU nas últimas legislativas, o candidato oficial Edgar Silva é o mais bem recebido (com 25,1% das intenções de voto), mas Marcelo aparece logo de seguida, com 20,1% da mobilização entre os comunistas e ecologistas.

A sondagem foi feita através de entrevistas telefónicas, a um total de 605 inquiridos, durante os dias de 28 de novembro a 2 de dezembro. Com esta amostra, a margem de erro é elevada, sobretudo quando a subdividimos por partidos.