A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai reunir de emergência a 1 de fevereiro, em Genebra por causa do vírus zika, anunciou a organização esta quinta-feira, estimando que possam existir cerca de três a quatro milhões de pessoas infetadas com o vírus. Há casos confirmados em 23 países.

Os casos de zika começaram a ser registados na América do Sul em maio de 2015 e em novembro já havia nove países com casos autóctones (transmissão dentro do país). O número crescente de casos e de países afetados levou a que a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, convocasse a reunião de emergência, anunciada esta quinta-feira durante a 138ª reunião do Conselho Executivo da OMS.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse, em conferência de imprensa que a organização está “profundamente preocupada com a rapidez da evolução da situação”, que “o nível de alarme era extremamente elevado” e que o vírus se estava a “espalhar de forma explosiva”.

O zika é transmitido por mosquitos e foi isolado pela primeira vez em 1947, em macacos-rhesus (Macaca mulatta), na floresta Zika do Uganda. E desde 1950 que está a circular em populações humanas. Há um perigo de epidemia em zonas onde foi recentemente introduzido porque as populações que ainda não foram expostas ao vírus, não estão imunes ao mesmo. O perigo de transmissão do vírus é maior em grandes cidades, devido ao elevado número de pessoas que podem ser infetadas e passar o vírus.

De notar que, até que seja confirmado que o vírus zika pode ser transmitido pelo sémen ou pelo sangue, só os países com mosquitos do género Aedes, nas zonas tropicais e subtropicais, estão em risco. Na Europa existem vírus deste grupo na Madeira, Itália, Espanha e França. Sendo o Aedes aegypti considerado um mosquito que convive facilmente com os humanos, o perigo é tanto maior quanto maior a densidade populacional das cidades e quanto mais locais favoráveis à reprodução do mosquito existirem – zonas de água parada, sejam charcos ou um simples bebedouro dos animais domésticos.

Controlar as populações de mosquitos e evitar as picadas dos mesmos parecem ser as melhores formas de prevenir a propagação do surto. O controlo das populações de mosquito permite não só prevenir as infeções com zika, como também com dengue e chikungunya, transmitidos pelo mesmo tipo de vírus. O vírus vai para onde o mosquito for, alertou Marcos Espinal, diretor do Departmento de Doenças Comunicáveis e Análise de Doença da Organização Pan-Americana de Saúde (PAHO). “Não podemos esperar que se espalhe.”

A diretora-geral da OMS referiu também que a OMS quer “vencer o atraso científico” no caso do vírus zika e que “é crucial que partilhem informações”. Margaret Chan alertou que ainda não foi possível estabelecer a ligação entre a infeção da grávida com o vírus e as má-formações nos fetos, ou mesmo os problemas neurológicos nos adultos, e adiantou que a OMS vai juntar “os melhores especialistas do mundo” para investigarem se o vírus causa microcefalia nos bebés. Uma destas equipas, pertencente aos Centros de Controlo e Prevenção da Doença norte-americanos, foi apresentada na reunião por Lyle Peterson.

Ainda não houve confirmação científica inequívoca de que o aumento dos casos de microcefalia estão relacionados com o surto de zika, mas desde outubro de 2015 – quando os casos de microcefalia começaram a aumentar exponencialmente – que a Organização Pan-Americana de Saúde (PAHO) está a acompanhar a situação e a tentar confirmar esta relação, revelou Carissa Etienne, diretora da PAHO.

A situação mais grave é a do Brasil, onde o ministério da Saúde estima a ocorrência de entre 497.593 e 1.482.701 casos de zika em 2015, incluindo 3.893 casos de microcefalia. A Colômbia é o segundo país mais atingido, tendo sido confirmados 13.808 casos de zika, incluindo em 890 grávidas, e 2.611 casos suspeitos. Apesar de todos os casos já identificados em vários países, apenas cerca de 25% dos infetados apresentam sintomas, mas todos os infetados podem passar o vírus ao mosquito que os pique.

Não existe tratamento específico para a doença, nem vacina que a possa prevenir, mas o diretor da Pesquisa sobre Doenças Comunicáveis do Ministério da Saúde brasileiro, Claudio Maierovitch, garante que existem grupos de investigação no país a trabalhar sobre esse assunto.

Portugal tem seis casos confirmados de vírus zika, confirmou o diretor-geral de Saúde, Francisco George. Os casos confirmados dizem respeito cinco pessoas que regressaram do Brasil e outro a uma pessoa que voltou da Colômbia.

O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge é que é responsável por fazer o diagnóstico da doença em Portugal. O que é certo é que apenas 20 a 25% dos infetados apresentavam sintomas da doença.

A conferência de imprensa está a ser transmitida em streaming aqui.

Qualquer pergunta pode ser dirigida diretamente à OMS a partir da conta de Twitter.

Atualizado às 15h15