Ainda falta mais de um mês para Marcelo Rebelo de Sousa tomar posse como Presidente da República, mas o Presidente eleito já prepara a entrada em Belém. Além das conversas com Cavaco Silva e com António Costa, o vencedor das eleições presidenciais de domingo já reuniu com o atual chefe da Casa Civil Nunes Liberato para saber como funciona a casa. Nestes primeiros tempos, Marcelo terá várias funções ao mesmo tempo, desde arrumar as tarefas na Faculdade de Direito, a reunir com ministros do Governo até à preparação daquela que vai ser a sua equipa.

Esta semana, para além dos encontros públicos com o Presidente, o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia, Marcelo fez questão de reunir – mas sem avisar a comunicação social – com os líderes partidários com assento parlamentar. Jantou com Pedro Passos Coelho, foi recebido por Jerónimo de Sousa, Catarina Martins e Paulo Portas, segundo conta a edição deste sábado do Expresso. Para a semana, reúne com o PAN e Verdes.

Para a semana também, o gabinete no Palácio de Queluz já estará pronto para que Marcelo, tal como todos os Presidentes recém-eleitos, vá para lá preparar o período de transição. E neste período, que durará pouco mais de um mês, Marcelo terá já algumas reuniões na agenda. Das mais relevantes serão as que terá com ministros do Governo. O primeiro-ministro anunciou encontros, sobretudo nas áreas de soberania, mas a verdade é que não faltará a Marcelo informação sobre o Orçamento do Estado para 2016. Com os prazos estipulados pelo Parlamento, o Presidente eleito tem na prática uma semana para promulgar o Orçamento para que este entre em vigor a 1 de abril.

Essa será apenas uma das tarefas de Marcelo Rebelo de Sousa, que já lhe darão um cheiro ao que vai ser a torrente em Belém. Nesta última semana, o presidente eleito teve algumas reuniões para se inteirar da estrutura de Belém e do que terá de decidir no tempo próximo. Além da conversa com o Presidente Cavaco Silva, Marcelo tem conversado com Nunes Liberato, o chefe da Casa Civil de Cavaco Silva. Mas Marcelo “quer fazer diferente do habitual”, diz um colaborador ao Observador. Esse “diferente” ainda não está definido, porque o protocolo não permite grandes desvios ao novo Presidente, a começar pela segurança, que espantou o eleito logo nos primeiros dias.

Um dos cargos que terá de escolher nos próximos tempos é mesmo o de chefe da Casa Civil. Até agora, circulava o nome de João Silveira Botelho, amigo de longa data de Marcelo e administrador da Fundação Champalimaud. Ao Observador, Silveira Botelho nega que esteja a caminho de ser a mão direita de Marcelo na Presidência: “Nunca se sucedeu, não se sucede, nem nuca se sucederá. Foi uma das questões prévias nesta história”, disse.

A história começou com a intenção da candidatura. Silveira Botelho foi o homem que esteve na sombra a organizar a candidatura do professor de Direito às eleições presidenciais. Raramente apareceu na campanha, mas era sempre ele que estava na sombra a aconselhar o candidato.

Esta escolha será feita por Marcelo, que apesar de ser um homem muito popular, tem um núcleo restrito de amigos, como Isabel Mota, que está na Fundação Calouste Gulbenkian, Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud ou Ferreira Leite. Três mulheres que estiveram com ele na campanha, durante a sessão pública de Santa Apolónia, e que são nomes apontados para poderem integrar o Conselho de Estado. O que, para Beleza e Ferreira Leite não seria uma estreia.