Os representantes das instituições credoras da Grécia começam em Atenas a primeira revisão do terceiro resgate, com vastos assuntos ainda pendentes e a revolta na rua contra o décimo primeiro pacote de cortes.

A primeira ronda de conversações começará ao fim da tarde de hoje, com uma primeira troca dos assuntos que serão debatidos nos próximos meses.

Espera-se que os chefes da missão da Comissão Europeia (CE), do Banco Central Europeu (BCE), do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) fiquem nesta primeira etapa durante cerca de uma semana em Atenas.

Durante este tempo poderão testemunhar os protestos que estão a levantar as exigências das instituições credoras em matéria fiscal e de pensões, já que estão programadas uma paragem dos transportes nesta terça-feira, uma greve geral na quinta-feira e manifestações diárias de agricultores.

Tendo em conta que a proposta de reforma do sistema de pensões apresentada pelo Governo desencadeou uma reação dos cidadãos parecida com a registada durante a coligação do Governo entre conservadores e social-democratas, as exigências dos credores, que vão mais além, intuem-se explosivas.

Nesta negociação, no total existem cinco pontos conflituosos, de cujo êxito depende que a Grécia não só receba uma nova ‘tranche’ do resgate, como consiga abrir o debate sobre um possível alívio da dívida, um dos principais cavalos de batalha do Govenro de Alexis Tsipras.

Mas, a questão mais controversa para a população é a que afeta a reforma das pensões.

Tsipras insistiu, repetidamente, que não está disposto a baixar as pensões atuais, mas apenas as futuras, e assim terá dito à diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, durante o Fórum de Davos, segundo os meios de comunicação gregos.

Desde o início da crise, há mais de seis anos, que as pensões se converteram no principal sustento da maioria das famílias na Grécia, refere um estudo realizado pela associação de pequenas e médias empresas grega.

Ao assinar em agosto do ano passado o terceiro resgate, de 86.000 milhões de euros, o Governo grego comprometeu-se a alcançar em 2018 um excedente primário de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 0,5% em 2016.