Foi apenas na segunda-feira que decorreu o primeiro ‘caucus’ das eleições primárias para a nomeação partidária tendo em vista as presidenciais americanas no Iowa. E como estas eleições são feitas etapa a etapa, os candidatos não param. Por isso, e porque daqui a quatro dias é a vez do estado do New Hampshire ir às urnas, os democratas Hillary Clinton e Bernie Sanders encontraram-se para mais um frente-a-frente. E foi quente.

Pela primeira vez Clinton e Sanders debateram só os dois – visto que Martin O’Malley desistiu da candidatura na noite eleitoral no Iowa. Tendo ficado separados apenas por duas décimas, com o primeiro lugar reservado à antiga secretária de Estado, esperava-se uma discussão feroz. E foi o que aconteceu, com a mulher do antigo Presidente Bill Clinton a atacar a estratégia de campanha do rival.

Naquele que já é visto como um dos ataques mais ferozes em toda a campanha, Clinton não perdeu tempo e acusou Sanders de “manchar artisticamente” o seu nome com “insinuações” ao sugerir que pagamentos provenientes de Wall Street eram sinal de corrupção.

“Se tiver alguma coisa para dizer, diga”, exigiu a candidata. E perante a passividade, ou até surpresa, do opositor, Hillary esclareceu que é uma inimiga e não uma aliada do sistema de Wall Street. No entanto Bernie não se queria ficar e tentava responder com as presenças da candidata em campanhas de recolha de fundos organizadas por gestores.

Passando o tema de conversa para a política exterior, o senador do Vermont acusou Clinton de apoiar uma intervenção no Iraque e na Síria. “Um voto em 2002 não é um plano para derrotar o ISIS (Estado Islâmico)”, defendeu-se Hillary referindo-se aos tempos em que ocupava o cargo de senadora por Nova Iorque e em que votou favoravelmente na questão da guerra do Iraque. “Temos que olhar para as ameaças que enfrentamos agora”, reforçou.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi no entanto quando um dos moderadores do debate desafiou Sanders a enumerar, por ordem de ameaça aos EUA, o Irão, a Rússia e a Coreia do Norte:

A Coreia do Norte é um país muito, muito estranho porque é tão isolado, e eu sinto que uma nação com armamento nuclear têm que ser enfrentados. É preciso lidar com eles efetivamente”, afirmou Bernie escolhendo a Coreia do Norte como a maior ameaça.

A discussão acesa, principalmente da parte de Clinton, pode-se explicar através da sua vitória magra no Iowa, mas também com as sondagens que dão vantagem ao senador do Vermont no Estado do New Hampshire. No entanto, Clinton mantém uma vantagem confortável nas sondagens a nível nacional.

Nota ainda para uma pergunta que arrancou gargalhadas à antiga secretária de Estado: se escolheria Sanders como vice-presidente se chegar à Casa Branca. Apesar de tudo, rapidamente desfez o riso e afirmou que Bernie seria a primeira pessoa a quem iria ligar a pedir conselhos caso se tornasse Presidente dos Estados Unidos.