Rádio Observador

Mercados Financeiros

Juros de Portugal a caminho dos 4,5%, máximos de ano e meio

1.189

Dívida portuguesa está vulnerável a uma vaga de aversão ao risco que está a assolar os mercados. A taxa de juro está a disparar mais de 70 pontos para quase 4,5%. Até Rajoy já comentou.

Getty Images

As obrigações do Tesouro português estão sob pressão intensa esta quinta-feira nos mercados internacionais, especialmente vulneráveis a uma vaga de aversão ao risco global relacionada com os bancos da Europa central e com a subida das taxas de juro nos EUA. A taxa a 10 anos já está acima de 4,4%, um máximo desde agosto de 2014.

O risco da dívida portuguesa, medido pela comparação com os juros da Alemanha, já tinha chegado a níveis do verão de 2014 (logo após o final do programa da troika) mas, agora, também a taxa de juro absoluta está no valor mais elevado desde essa altura, acima dos 4,40%.

Na semana passada, a mesma taxa estava abaixo de 3%

Apesar do ok de Bruxelas ao Orçamento português, a dívida portuguesa continua especialmente vulnerável a momentos de maior aversão ao risco nos mercados. A taxa de juro está a subir 75 pontos base, que compara com a subida de seis pontos em Espanha, na sessão desta quinta-feira.

Mariano Rajoy, líder do Partido Popular Español, já veio comentar que a subida dos juros de Portugal é um exemplo de como o “risco político” pode penalizar a perceção dos investidores em relação aos países.

A semana está a ser marcada por receios face aos bancos do centro da Europa – primeiro o Deutsche Bank e, hoje, o Société Générale, que cai mais de 10% após apresentar resultados anuais dececionantes. Além disso, a presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, disse que a turbulência nos mercados financeiros globais contribuiu “significativamente” para apertar as condições financeiras, pelo que poderia ser necessário rever o ritmo das subidas da taxa de juro.

Juros de Portugal sobem mais do que os de Espanha

GSPT10YR Index (PORTUGUESE GOVER 2016-02-11 11-47-23

A pressão sobre Portugal, em especial, deve-se aos receios em torno da execução orçamental e à decisão da agência de rating DBRS, que tem a chave para o financiamento da banca portuguesa no BCE e para a compra de dívida nacional por parte do banco central. O Commerzbank aconselhou na quarta-feira os investidores a terem “cautela” com a dívida portuguesa, perante o risco de um corte de rating.

IGCP já estará a adiar emissões de dívida?

As taxas de juro nos mercados não refletem custos reais de financiamento para o Estado, mas são um indicador de que seria mais problemático para o Tesouro português fazer uma nova emissão de dívida nesta altura – porque estes são preços no mercado secundário, como se notou no Explicador publicado recentemente intitulado O dinheiro fala. Saiba como “ouvir” os mercados.

Ainda que estes não sejam mais do que preços em negócios feitos entre investidores, um analista ouvido esta manhã pelo Observador diz que esta incerteza já terá levado o IGCP a adiar o agendamento de uma nova emissão – que este analista acredita que teria acontecido esta semana, em circunstâncias normais.

Na quarta-feira, um analista do Commerzbank publicou uma nota de análise em que diz que a Comissão Europeia mostrou um “cartão alaranjado” a Portugal, admitindo que a situação poderia agravar-se nas próximas semanas. Em especial, o analista dizia que era “provável que as agências de rating partilhem do [nosso] ceticismo em relação ao orçamento de 2016 proposto pelo novo governo”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt
Crescimento Económico

Como vai o motor da nossa economia?

Luís Ribeiro

Estamos a viver “à sombra da bananeira” de uma alta imobiliária que alguns consideram já ser mais uma “bolha” do que um “boom”. É uma ilusão que se esfuma facilmente e é incapaz de arrastar a economia

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)