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Os investidores devem ficar mais cautelosos em relação ao investimento em dívida pública portuguesa, avisa uma análise do Commerzbank. Numa nota enviada aos clientes, citada pela agência Bloomberg, o analista David Schnautz refere um cocktail de fatores que estarão a pressionar as yields das obrigações portuguesas, elevando os juros exigidos pelos investidores na compra destes títulos.

Entre estes fatores, destacam-se as dúvidas europeias sobre o Orçamento do Estado para 2016, com o banco alemão a antecipar a exigência de novas medidas corretivas por parte de Bruxelas quando forem divulgadas as projeções da primavera da Comissão Europeia, em maio próximo. Mas a maior ameaça virá dos ratings, em particular da DBRS, a única agência que mantém a dívida portuguesa acima da classificação de “lixo”.

Esta agência, que vai avaliar o rating da dívida pública portuguesa a 29 de abril, estará sob pressão para alinhar a sua classificação com as três grandes (Fitch, Moody’s e a Standard & Poors) e, se o pior acontecer, Portugal pode perder o acesso ao programa de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), o que lançaria a dívida portuguesa numa espiral de subida das taxas de juro. Ainda que, refere a mesma nota, a revisão em baixa do rating de Portugal não seja o cenário de partida.

A compra de títulos no mercado secundário por parte do BCE tem sido apontada como a principal explicação para o facto de os custos de financiamento de Portugal continuarem sob controlo, apesar da instabilidade política e da viragem à esquerda na política económica.

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O persistente rácio elevado de dívida pública em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e a reversão de medidas de austeridade adotadas nos anos de intervenção da troika, estão a provocar forte críticas por parte das agências de rating, salienta a nota do banco alemão.

E uma nova onda de vendas de Obrigações do Tesouro, como a que aconteceu esta semana, poderá mesmo levar alguns investidores a questionar-se se poderá estar em causa a necessidade de um novo resgate.