As negociações entre David Cameron, Donald Tusk e Jean-Claude Juncker para um acordo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia terminaram esta sexta-feira por volta das 05h30 da manhã (hora de Bruxelas, menos uma em Portugal), dá conta o jornal The Guardian.

O primeiro-ministro britânico deixou a reunião com os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia sem fazer comentários, mas as conversações recomeçaram por volta das 11h00 da manhã (10h00 em Portugal), anunciou o Conselho Europeu.

No entanto primeiro-ministro britânico já garantiu em Bruxelas que vai fazer “tudo o que puder” para fechar hoje um acordo que lhe permita fazer campanha pela manutenção do Reino Unido na União Europeia (UE).

“Como já disse, só fechamos um acordo se conseguirmos aquilo de que o Reino Unido necessita. Vou voltar a entrar, trabalhar mais e fazer tudo o que puder”, disse Cameron, à entrada para o segundo e último dia do Conselho Europeu, dominado pelo chamado ‘Brexit’.

“Estive aqui até às 05h00 da manhã a trabalhar e fizemos alguns progressos, mas ainda não há acordo”, salientou. A BBC diz mesmo que as conversas podem-se estender até domingo.

Ainda antes de as conversações terem sido interrompidas já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou terem sido “feitos alguns progressos” na questão do referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE, mas que ainda é necessário “fazer muito” nas conversas entre o Reino Unido e os restantes Estados-membros.

Na rede social Twitter, Tusk anunciou a realização de várias reuniões bilaterais sobre o ‘Brexit’ (eventual saída do Reino Unido da UE), que se iniciam com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, seguindo-se o presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro checo, Bohuslav Sobotka, e o primeiro-ministro belga, Charles Michel.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, instou os parceiros a realizarem reformas em quatro áreas para fazer campanha pelo ‘sim’ no referendo sobre a permanência do seu país entre os 28.

O esboço de conclusões da reunião de chefes de Estado e do Governo indica alterações nos abonos de família a europeus de outros estados-membros que trabalhem ao Reino Unido, assim como a criação de um “mecanismo de alerta e salvaguarda” para “responder às situações de chegada de trabalhadores de outro Estado membro com uma magnitude excecional por um longo período de tempo”.

Outras questões que ainda dividem as partes têm a ver com as regras de competitividade, a governação da zona euro, onde o Reino Unido quer ter uma palavra apesar de não estar na moeda única, e a soberania nacional.

Na quinta-feira, à chegada ao Conselho Europeu, o primeiro-ministro, António Costa, disse que seria “uma perda imensa” para Portugal se o Reino Unido saísse da União Europeia, mas salientou que a sua permanência não pode ser garantida sacrificando “as regras mais elementares da UE”, sob pena de “a União deixar de ser uma união”.