O Partido Comunista diz que ainda não leu a proposta da CMVM para o fim das blindagens dos estatutos, uma proposta que terá implicações decisivas para o futuro imediato do BPI – banco que tem nos seus estatutos uma limitação de 20% aos direitos de voto mas que poderá ser alvo de uma OPA pelos espanhóis do CaixaBank. Miguel Tiago, deputado comunista, diz à TSF que o partido é contra quaisquer medidas que aumentem o domínio estrangeiro da banca nacional.

O PCP é contra “a eliminação de mecanismos que permitam um maior equilíbrio entre grupos económicos e até entre acionistas”. Ainda assim, Miguel Tiago, que garante não ter lido a proposta da CMVM para acabar com estas limitações, nota: “é estranho dizermos que estamos contra, porque pode ter mecanismos que não estamos a ponderar. Mas se for isto que está em cima da mesa e se for esta ideia de eliminar os limites de votações para permitir que um grupo tome conta de um banco, que haja um domínio maior dos grandes grupos económicos estrangeiros sobre a banca nacional, é claro que nesse contexto o PCP votará contra”.

O PCP não facilitará a “tarefa aos grupos económicos que pretendem tomar contas dos bancos”, acrescentou Miguel Tiago. O PCP não considera nenhuma das situações como adequada, reforçando que a única solução que seria do interesse nacional passa pela “presença do Estado na banca”, assinala.

O deputado acusou ainda os grupos de acionistas, como a CaixaBank e Isabel dos Santos, de usarem o dinheiro dos portugueses “ao seu serviço”.