É o último congresso do partido antes das eleições autárquicas e as bases querem ouvir ou pelo menos fazer-se ouvir sobre as escolhas do partido. Mais do que a escolha de todos os candidatos, na qual as estruturas locais querem ter uma palavra a dizer, está a escolha dos cabeças-de-lista às principais cidades do país: a Lisboa e ao Porto. E para a capital, se ainda não há candidato definido, há pelo menos uma certeza para a estrutura local: apoiar Assunção Cristas, não.

Quem o diz é o presidente da concelhia de Lisboa, Mauro Xavier, que afirma que o processo ainda está a decorrer: “O PSD terá uma candidatura liderada por um independente ou militante do PSD e não apoiaremos nenhuma candidatura de outro partido”. É definitivo: “A candidatura de Assunção Cristas está totalmente excluída”, garante.

Mas não está fechada, para a concelhia, a possibilidade de uma coligação, apesar de o presidente da concelhia não a desejar. Lembra até a história para dizer: “Quando Paulo Portas foi candidato e Lisboa, foi quando tivemos a nossa maior maioria. Só ganhamos quando vamos sem o CDS”, disse.

O candidato do PSD aparecerá em maio ou junho, se tiver menos notoriedade, e pode aparecer mais tarde se for mais conhecido, explica Mauro Xavier.

As autárquicas estão a ser o assunto no congresso do PSD, que se realiza este fim de semana em Espinho. Sem surpresas, Lisboa também é tema. Na capital, além do candidato do PS, que será Fernando Medina (e não se sabe se vai ter ou não o apoio de BE e PCP), posicionou-se na corrida a líder do CDS, Assunção Cristas. E neste ponto o PSD não quer ter apenas uma voz — quer ter um megafone.

Foi isso que foi ao palco dizer Bacelar Gouveia que abriu as hostilidades no que à escolha do candidato autárquico à capital diz respeito. Disse o constitucionalista que “como lisboeta social-democrata, não gostaria de votar numa lista em que a cabeça de lista fosse a líder do CDS. Isso significaria que tínhamos alienado a nossa capacidade autárquica”. “Que partido seria este se não tivesse um candidato à capital do país? Espero que seja apenas um rumor”, disse.

Mas não foi o único a falar do assunto. José Pedro Aguiar-Branco, que subiu ao palco com um discurso que animou o início da tarde de trabalhos, lançou até um nome de um crítico para a corrida: José Eduardo Martins. Ironia?