30 de Junho de 1901. Narcis Podsednicek era o escolhido pela Laurin & Klement – marca checa, sediada em Mlada Boleslav, que mais tarde daria origem à Skoda – para participar no maior evento do desporto motorizado da época: a Paris-Berlim. Aos comandos do motociclo com motor monocilíndrico, Podsednicek era um dos 10 pilotos a participar na categoria de motociclos e triciclos motorizados.

Rezam as crónicas que o piloto checo cruzou a meta bastante antes de todos os outros. E muito mais cedo do que era esperado: os ponteiros do relógio andariam por volta das três da manhã, e a única testemunha do feito terá sido um polícia que se encontrava de serviço no local. Resultado: como os cronometristas oficiais não estavam presentes, Podsednicek teve de contentar-se com uma vitória moral, vendo o pódio acabar por ser ocupado pelos pilotos franceses que tripularam os triciclos De Dion-Bouton.

Podsednicek venceu, mas teve de contentar-se apenas com uma vitória moral

Podsednicek venceu, mas teve de contentar-se apenas com uma vitória moral

Apesar disso, a sua prestação estabeleceu as bases para o envolvimento da Laurin & Klement, e depois da Skoda, nos desportos motorizados. E os veículos de produção e de competição seguiram sempre caminhos paralelos. Em 1905, a casa checa começou a registar um assinalável êxito, em boa parte assente nos seus motociclos. Além de várias vitórias em corridas de monta de resistência, o FCS de quatro cilindros, com 95 cv, estabelecia em Brooklands, em 1908, um recorde de velocidade de 118,72 km/h.

O roadster Popular brilhou no Rali de Monte Carlo em 1936

O roadster Popular brilhou no Rali de Monte Carlo em 1936

À semelhança de todas as suas congéneres, o eclodir da I Guerra Mundial não foi, propriamente, benéfico para a Skoda. Entre as duas grandes guerras, os feitos da marca na competição incluíram os óptimos resultados alcançados pelo roadster Popular e pelo coupé Rapid nos ralis de Monte Carlo em 1936 e 1937, respectivamente. Entretanto, chegava a II Guerra Mundial, após a qual era o 1101 que brilhava em Spa, no Rali de Monte Carlo e no Tour d’Europe, a que se seguiu o primeiro Octavia, também com resultados de relevo.

Em 1937, seria a vez do coupé Rapid evidenciar-se na prova monegasca

Em 1937, seria a vez do coupé Rapid evidenciar-se na prova monegasca

Já em 1964, o 1000 MB, de motor traseiro e chassi “monocoque”, inaugurava um novo capítulo, que teve os seus momentos mais altos na competição com os seus sucessores, pela mão do norueguês John Haugland: o mítico 130 RS vencia a sua classe nos ralis de Monte Carlo e da Acrópole em 1977, e garantia o título de construtores no europeu de carros de turismo em 1981. Já com o 130 LR, Haugland vencia a classe no RAC de 1985 e 1986.

Pela mão do norueguês John Haugland, o 130 RS triunfou na sua classe nos ralis de Monte Carlo e da Acrópole em 1977

Pela mão do norueguês John Haugland, o 130 RS triunfou na sua classe nos ralis de Monte Carlo e da Acrópole em 1977

Uma nova era no desporto motorizado teve início para a Skoda com o Favorit no Rali de Monte Carlo. Com a dupla Pavel Sibera/Petr Gross, conseguiu nada menos que quatro vitórias consecutivas na classe F2 na prova monegasca, entre 1991 e 1994. O seu sucessor, o Felica Kit-Car, com o inesquecível Stig Blomqvist, conquistou o terceiro lugar no pódio da geral do RAC de 1996.

Seguiu-se-lhe o Octavia Kit-car, com o qual a Skoda fez a sua estreia na categoria máxima do Mundial de Ralis, o WRC, conquistando como melhor resultado o terceiro lugar no exigente Rali Safaria de 2001. Diz a história que o Fabia WRC, que lhe sucedeu, também não fez má figura.

Rally Japan 6148

O Fabia 2000 no Rali do Japão

Mas, até hoje, o modelo mais bem-sucedido da Skoda foi mesmo o Fabia Super 2000. A dupla checa composta por Jan Kopecký/Pavel Dresler foi a primeira, na história da disciplina, a vencer o título nos campeonatos europeu (ERC) e Ásia-Pacífico (APRC) de ralis durante dois anos consecutivos. No total, os pilotos que competiram com o Fabia Super 2000 conquistaram, entre 2009 e 2014, 50 títulos nacionais e internacionais.

Rally Portugal 6570

O Fabia R5 é um dos carros mais competitivos da classe WRC2

Com o Fabia R5, desde 2015 a participar no Mundial de Ralis na classe WRC2, a Skoda criou um dos carros mais competitivos da sua categoria. Equipado com as mais evoluídas soluções tecnológicas, este tracção integral recebeu a aprovação Federação Internacional do Automóvel (FIA) em Abril do ano passado e, ainda assim, conquistou cinco títulos nacionais e o campeonato Ásia-Pacífico, o quarto consecutivo da dupla sueca Pontus Tidemand/Emil Axelsson.

O R5 no Rali de Portugal

O Fabia R5 no Rali de Portugal

Em 2016, o Fabia R5 é uma das principais estrelas do campeonato, aspirando não só ao título mundial de pilotos (neste momento, o finlandês Teemu Suninen, vice-líder da classificação geral, é o melhor colocado para o tentar conseguir), como ao título de construtores, seja através da equipa oficial da Skoda, seja através do Team Oreca, que também faz correr o modelo checo. Em Portugal, o seu protagonismo não é menor, tendo sido o eleito por vários pilotos de renome, alguns deles dos principais candidatos à vitória final do campeonato, como sejam Pedro Meireles, Miguel Campos, Diogo Salvi, Elias Barros ou o pluricampeão nacional de TT, Miguel Barbosa.