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A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, confirmou nesta segunda-feira que vai pedir ao Parlamento para votar, na próxima semana, pela realização de um novo referendo sobre a pertença ao Reino Unido.

A decisão surgiu depois de as tentativas de negociar com Londres sobre o Brexit terem sido respondidas com uma “parede de intransigência”. A notícia foi confirmada pela própria primeira-ministra, numa declaração aos jornalistas em que a responsável lamentou não ter conseguido persuadir o governo de Theresa May de que a Escócia deve poder ficar no Mercado Único Europeu.

Nicola Sturgeon começou a conferência de imprensa dizendo que houve um colapso do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn, que significa que o Partido Conservador poderá manter-se no poder “até 2030 ou ainda mais tempo”.

Isto, diz a primeira-ministra, origina muitas questões sobre “que tipo de país o Reino Unido será no futuro”. Cabe aos políticos, diz Sturgeon, tentar moldar os acontecimentos e não apenas aceitá-los. Confrontada com a indisponibilidade de Londres de deixar a Escócia continuar no mercado único mesmo saindo da União Europeia, uma cedência que Edinburgo tinha aceitado fazer, Sturgeon diz que não pode fingir que seja provável um acordo.

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O plano é assegurar que a Escócia tem a perspetiva de um novo referendo assim que terminar o processo do Brexit, que se admite poder começar já esta semana com a ativação, por parte de Theresa May, do chamado Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que prevê a saída de membros da UE. Para Sturgeon, se a Escócia não fizer este referendo acabará por sair da União Europeia a reboque da Inglaterra, pelo que não deve caber a um responsável político decidir sobre isto, sozinho.

Nicola Sturgeon diz-se confiante de que o governo liderado por Theresa May não irá vetar a realização do referendo.

Quando deverá ser o referendo? Isso deve caber ao povo escocês decidir, adiantou Nicola Sturgeon. O que a primeira-ministra defende é que o povo escocês deve poder pronunciar-se quando tiver mais dados do que existem hoje — mas a votação deve acontecer numa altura em que, caso o voto seja pela permanência, essa permanência ainda esteja ao alcance. No outono deverá haver maior visibilidade sobre o calendário previsível, mas Sturgeon adianta que o mais provável é que a consulta popular ocorra entre o outono de 2018 e a primavera de 2019.

May critica referendo, mas não exclui. Líder dos Trabalhistas diz que “é um erro”

O executivo de 10 Downing Street reagiu imediatamente ao anúncio da primeira-ministra escocesa, líder do partido nacionalista e independentista SNP. Garantindo que a negociação com a União Europeia terá em conta “os melhores interesses de todas as nações do Reino Unido”, a fonte do governo de Theresa May diz que um possível referendo será “divisivo” e criará “incerteza na pior altura possível”. Contudo, a declaração não contém uma recusa de que o referendo possa fazer-se.

Também em Londres, o líder dos Trabalhistas britânicos, Jeremy Corbyn, considerou “um erro” avançar para um segundo referendo tão próximo do que existiu em 2014. Os trabalhistas no parlamento escocês vão votar contra a iniciativa, mas se esta avançar “o Partido Trabalhista não irá bloquear a iniciativa em Westminster”.