O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, considerou esta terça-feira uma “falsidade histórica repugnante” a acusação do Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de que os holandeses foram responsáveis pelo massacre de Srebrenica.

“Ele [Erdogan] não para de agravar a situação”, disse Rutte à agência ANP, acrescentando que a acusação é “uma falsidade histórica repugnante”.

“Não vamos descer a esse nível, é completamente inaceitável”, disse. Rutte reagia a afirmações feitas esta terça-feira pelo Presidente turco, que disse que “a personalidade perversa” dos holandeses é conhecida “desde o massacre de 8 mil bósnios em Srebrenica”. As vítimas foram executadas pelas forças sérvias, em 1995 na Bósnia, numa zona declarada segura pelos capacetes azuis holandeses.

A tensão avivou-se nos últimos dias entre Turquia e vários países europeus, entre os quais a Alemanha e a Holanda, pela oposição dos respetivos governos à presença de ministros turcos em comícios com a comunidade para defender o “sim” ao reforço dos poderes presidenciais no referendo turco de 16 de abril. No discurso desta terça-feira em Ancara, Erdogan acusou os dois países de serem Estados que protegem terroristas.

Berlim reagiu pouco depois qualificando de “absurda” a acusação de que a Alemanha esconde terroristas curdos e afirmando que Erdogan visa apenas aumentar o apoio ao “sim” no referendo.

“Essa afirmação junta-se a uma série de afirmações igualmente absurdas e sem qualquer base real que têm como único objetivo pôr a Turquia no lugar de vítima para gerar solidariedade e evitar uma atitude crítica no referendo”, disse o ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere.

Sobre a lista de 4 mil terroristas curdos alegadamente escondidos na Alemanha, que Ancara afirmou ter entregado à chanceler alemã, Angela Merkel, o ministro assegurou que “essa lista não existe”. “A verdade — prosseguiu — é que nos últimos anos foram abertos na Alemanha 4.000 processos relacionados com o terrorismo na Turquia”.