Várias agências noticiosas, entre as quais a Reuters e a Bloomberg, dão conta de um novo processo legal instaurado nos EUA, num tribunal de Detroit, em que um fabricante de automóveis é acusado de ter recorrido a dispositivos ilegais capazes de manipular as emissões dos seus motores a gasóleo. Em causa estão, desta vez, a General Motors (GM) e as pick-ups Chevrolet Silverado e GMC Sierra, fabricadas entre 2011 e 2016 e equipadas com o motor turbodiesel V8 Duramax – uma unidade motriz produzida no Ohio pela DMAX (joint-venture composta pela GM e pela Isuzu).

A acção, subscrita por mais de 705 mil proprietários dos referidos modelos, alega que o “gigante” de Detroit recorreu a vários dispositivos ilegais com o intuito de garantir que estes cumpririam, “contornando-as”, as normas antipoluição vigentes no país – tanto as federais EPA, como as CARB do sempre exigente estado da Califórnia. E que, sem os referidos dispositivos, em condições normais de condução e funcionamento, tais limites seriam superados em mais de cinco vezes.

Ao longo das mais de 190 páginas que compõem o processo, são feitas 83 referências à Volkswagen, assim se estabelecendo o inevitável paralelismo com o caso Dieselgate. Das duas das mais marcantes, uma que afirma que os prejuízos ambientais causados por cada uma das pick-up em questão poderá superar os impostos pelos veículos da marca germânica; e uma outra que refere o nome da Bosch, marca já implicada quer no escândalo da Volkswagen, quer na investigação semelhante de que a Daimler está a ser alvo na Alemanha. Sendo ainda questionada a credibilidade dos motores a gasóleo no que se refere à sua compatibilidade ambiental.

Sexto fabricante automóvel a estar sob suspeita de manipular as emissões dos seus motores diesel, a GM nega de forma veemente as acusações de que é alvo. Em comunicado, o maior construtor automóvel dos EUA refere “que as alegações não têm qualquer base”, adiantando que irá defender-se de forma vigorosa. Garantindo, ainda, que as Chevrolet Silverado e GMC Sierra com motores diesel Duramax “cumprem com todas as normas de emissões EPA e CARB”.