Um sismo de magnitude 8,4 na escala de Richter na costa do México esta madrugada fez com que as autoridades de monitorização marítima e atmosférica ativassem o alerta de tsunami em 57 países, entre eles países na outra ponta do Oceano Pacífico — como é que ocorrem estes fenómenos e como podem ter consequências a dezenas de milhares de quilómetros do ponto de origem?

Sismo no México fez pelo menos 60 mortos

Os tsunamis são causados por um movimento repentino no oceano. Podem ser provocados por terramotos, deslizamentos de terra no fundo oceânico, erupções vulcânicas ou mesmo meteoritos. A maioria tem origem em terramotos de grande intensidade, como aquele se sentiu esta madrugada no México.

Quando grandes falhas tectónicas se movimentam refletem uma enorme quantidade de energia no fundo do mar e agitam as águas à superfície. O resultado é uma onda crescente que se afasta do epicentro do terramoto em direção à costa.

À medida que essa força deixa as águas profundas e começa a movimentar as águas mais superficiais transforma-se e pode mesmo afetar dezenas de países, como aconteceu com o terramoto e tsunami de 2004 em Sumatra, na Indonésia.

Ilustração do tsunami de 2004

Como é que um tsunami é diferente de uma onda normal?

A velocidade de um tsunami está intrinsecamente relacionada com a profundidade das águas em que se move. Se a profundidade é menor, a velocidade também será: mas o fluxo de energia é constante. Como consequência, à medida que a velocidade diminui o tsunami cresce em altura. Por causa deste “efeito escassez”, os tsunamis são quase impercetíveis em alto mar e podem crescer, em altura, vários metros perto da costa. Quando finalmente atingem a costa, pode parecer que a maré sobe ou desce muito rapidamente, e o resultado é uma série de ondas repetitivas, ou até mesmo um furo ininterrupto.

Os tsunamis não são nada como as ondas que vemos na praia todos os dias. As ondas caraterísticas de praia são causadas por tempestades em alto mar, barcos de passagem, ou até mesmo pelo efeito gravitacional da Lua. São ondas geradas pela gravidade e pelo vento e têm uma duração média de 10 segundos e uma extensão de 150 metros. Um tsunami, contudo, pode ter uma extensão para lá dos 100 quilómetros e pode durar uma hora ou mais.

O alerta desta sexta-feira indica a possibilidade de ondas de tsunami de pelo menos 3 metros na costa do México. Todos os outros países indicados, como a Rússia, China e várias dezenas de pequenas ilhas no Pacífico receberam avisos de ondas entre os 30 centímetros e 1 metro.

Países em alerta (última atualização pela Autoridade Nacional da Atmosfera e do Oceano – EUA): México, Samoa Americana, Antártida, Ilhas Cook, Equador, El Salvador, Fiji, Polinésia Francesa, Guatemala, Kiribati, Nova Zelândia, Samoa, Tokelau, Tuvalu, Vanuatu , Wallis e Futuna, Austrália, Chile, China, Chuuk, Colômbia, Costa Rica, Guam, Hawaii, Honduras, Howland e Baker, Indonésia, Japão, Ilha Jarvis, Johnston Atoll, Ilhas Kermadec, Kosrae, Malásia, Ilhas Marshall, Ilha Midway, Nauru, Nova Caledónia, Nicarágua, Niue, Marianas do Norte, Palau, Ilha Palmira, Panamá, Pápua Nova Guine, Peru, Filipinas, Ilhas Pitcairn, Pohnpei, Rússia, Ilhas Salomão, Taiwan, Tonga, Vietname, Ilha Wake e Yap.