O sul do México registou esta madrugada um sismo de 8,2 da escala de Richter, segundo a última atualização feita pelo Serviço Sismológico Nacional. O tremor de terra — com epicentro a 190 quilómetros a sul de El Palmarcito, já perto da fronteira com a Guatemala e a uma profundidade de 70 quilómetros — foi sentido cerca das 5h30 da madrugada, hora de Lisboa, e levou a autoridades confirmar formação de tsunami que ameaça dezenas de países, com maior impacto na costa central e sul-americana.

A mais recente contabilização das vítimas já dá conta de 60 mortos e mais de 200 feridos. O chefe dos serviços de proteção civil mexicana confirmou a morte de 45 pessoas no Estado de Oaxaca, no sul. Outras 12 pessoas morreram no Estado de Chiapas e mais três no Estado de Tabasco.

As primeiras informações divulgadas pelas autoridades mexicanas, às primeiras horas da madrugada desta sexta-feira, indicavam que o sismo teria sido de 8,1 na escala de Richter. Uma primeira atualização subia esse nível para 8,4 mas, já a meio da madrugada no México, o Serviço Sismológico voltava a atualizar essa informação: 8,2 na escala de Richter, o “sismo de maior magnitude sentido no país nos últimos 100 anos”, sublinhou Enrique Peña Nieto aos jornalistas, na presença de responsáveis da Proteção Civil.

Réplicas e tsunami obrigam a manter nível de alerta

As autoridades mexicanas dão conta de fortes réplicas — 266, até ao momento — após o abalo principal: em alguns casos, registaram-se movimentos de terra que atingiram 6.1 de magnitude. Segundo os relatos recolhidos pela imprensa mexicana, a força do tremor de terra foi de tal ordem que a mais de 1.000 quilómetros de distância, na Cidade do México, houve pessoas a sair à rua com receio de que as suas casas pudessem não resistir ao sismo.

As informações disponíveis dão conta de cortes de energia e vidros partidos e a contabilização das vítimas, em permanente atualização à medida que as equipas de socorro vão avançando no terreno. Há, também, pessoas soterradas debaixo dos escombros de edifícios que não resistiram ao sismo e às quais as autoridades de proteção tentam chegar. Fazem-se apelos para que mais apoio seja enviado para as regiões mais afetadas.

As autoridades desencadearam o alerta de tsunami, que não afeta apenas a costa mexicana. Guatelama, El Salvador, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Honduras e Equador são outros dos países sob risco de serem abalados por ondas gigantes provocadas pelo forte sismo. Admite-se que possam chegar a terra firme ondas de até quatro metros de altura, na costa mexicana e da Guatemala, mas a lista de países sob risco de testemunhar as consequências do tsunami tem 56 países. No México, a operação de evacuação da zona costeiro do país já está em marcha, com a população a ser encaminhada para albergues.

O impacto previsto para as diferentes regiões difere de região para região. Mas, na prática, segundo os dados divulgados pela agência norte-americana de controlo de tsunamis, a zona de risco estende da costa central e sul-americana a, de forma genérica, todos os países com costa virada para o Pacífico.

A caminho do Centro Nacional de Prevenção de Desastres, e depois de um primeiro tweet em que dava conta do abalo, o presidente do país, Enrique Peña Nieto avançou a informação de que o Governo mexicano vai “reunir-se de imediato para monitorizar, avaliar e tomar decisões” relacionadas com o sismo.

Portugueses em segurança, diz embaixador

O embaixador português no México referiu que, à partida, não haverá portugueses (são cerca de 2000 mil no país) entre os mortos confirmados até ao momento. Jorge Roza de Oliveira falou à agência Lusa num momento em que o número de vítimas mortais estava, ainda, nas nove pessoas — quando esse número já foi revisto em alta pelas autoridades mexicanas.

“Não haverá portugueses entre as vítimas”, admitia o embaixador. Antes, numa mensagem publicada na rede social Facebook, Roza de Oliveira referia que teriam sido registados “maioritariamente a sul, nos estados de Oaxaca (onde terá colapsado agora um edifício), Chiapas (onde já foi declarado o estado de emergência) e Tabasco”.

“Há falhas de energia, há danos materiais, mas não foi a tragédia que poderia ser com esta magnitude”, disse ainda o embaixador português.

Andreia Salvado, portuguesa a viver na Cidade do México com o marido e a filha, de 2 anos, despertou com o abalo, que não provocou danos em casa mas foi violento o suficiente para abrir portas de armários — e para provocar o pânico. “Não sei como não se partiu nada. Foi muito forte mesmo. E ainda durou algum tempo, tivemos tempo para acordar, falar, ir para a sala e continuava tudo a abanar. Muita gente foi para a rua, porque soou o alarme dos sismos, mas nós não saímos de casa. Ainda não saímos de casa”, contou ao Observador às primeiras horas da manhã no México, início da tarde em Portugal. “Aqui há muitos sismos, portanto eles já têm muitos procedimentos. As próprias construções, desde 1985, são feitas de maneira diferente, acho que isso explica o facto de não termos tido danos maiores. Senti o prédio a ir para a frente e para trás, como que a acompanhar o sismo. Mais a sul, coitados, é que foi bem pior.”

Escolas fechadas, autoridades avaliam danos

Nos próximos dias, confirmou o Presidente da República do México, as escolas de 11 estados do país vão estar fechadas. É preciso avaliar danos e garantir que as estruturas não representam um perigo para as crianças e jovens de Cidade do México, Oaxaca, Chiapas, Puebla, Estado de México, Morelos, Tabasco, Veracruz, Tlaxcala, Guerrero e Hidalgo.

Alberto Rodriguez, jornalista mexicano, publicou na sua conta Twitter as primeiras imagens do sismo. Num dos vídeos publicados, são visíveis os movimentos violentos de candeeiros instalado num viaduto.

Num segundo vídeo, percebe-se como o sismo foi sentido dentro de casa. Não é, no entanto, claro o local onde foram gravadas as imagens.

Também nas redes sociais, os utilizadores lançaram uma onda de solidariedade para com as vítimas do terramoto. A #PrayForMexico reúne, no Twitter, mensagens de apoio e votos de que os mexicanos possam ficar em segurança, num momento em que se aguarda pela chegada do tsunami provocado pelo sismo e se esperam fortes réplicas nas próximas 24 horas.