A marcha de comemoração do Dia Nacional da Polónia juntou mais de 100 mil pessoas nas ruas de Varsóvia, durante o fim de semana, segundo noticia a Euronews . “Europa branca de nações eternas” era um dos muitos slogans que se podiam encontrar.

O convidado de honra deste ano foi o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que voltou ao país onde foi primeiro-ministro entre 2007 e 2014, para comemorar o dia ao lado do Presidente Andrzej Duda.

A marcha, que é normalmente organizada pelos partidos de extrema direita, é um evento anual que pretende celebrar a independência da Polónia, conseguida no fim da Primeira Guerra Mundial. Contudo, este ano, juntaram-se muitos apoiantes do partido conservador no poder, o Lei e Justiça (PiS). A oposição, dividida, organizou diversas marchas paralelas. Entre os líderes de extrema direita encontravam-se também o ex-líder da Liga da Defesa inglesa, Stephen Lennon, mais conhecido como Tommy Robinson, e Roberto Fiore da Itália.

Este foi um dos maiores encontros de ativistas de extrema-direita, segundo os especialistas, durante o qual muitas pessoas desfilavam com os rostos cobertos, cantando “Polónia pura, Polónia branca” e “Refugiados fora!”. Os ativistas foram mais longe e, numa bandeira, inscreveram a seguinte frase – “Orem pelo holocausto islâmico”. Muitos marchavam com as bandeiras da Polónia e tantos outros atiravam bombas de fumo vermelho.

De acordo com o que Nick Lowles, do grupo anti-extremismo do Reino Unido Hope Not Hate, contou ao The Guardian, este tornou-se um ponto de encontro internacional para os grupos de extrema direita.

Os números que frequentaram a marcha este ano parecem ser maiores e, embora nem todos sejam ativistas ou fascistas de extrema direita, é, sem dúvida, mais significativo e está a atuar como um imã para grupos de extrema direita em todo o mundo.”

No mesmo dia aconteceu um protesto antifascista, onde os nacionalistas empurraram várias mulheres que levavam consigo bandeiras que diziam “Pare o fascismo” e cantavam slogans antifascistas.

A presença de Tusk aconteceu então numa altura em que Varsóvia está cada vez mais em desacordo com Bruxelas, devido à polémica da interferência do governo de PiS nos tribunais, à exploração de madeira em grande escala e à recusa em aceitar migrantes no país. As relações entre o governo polaco e Tusk foram demasiado tensas, de forma que a Polónia foi o único país a votar contra a sua reeleição como Presidente do Conselho em março.