Os Estados Unidos da América deixaram um aviso com tons de ameaça aos membros da Organização das Nações Unidas. A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, avisou que os Estados Unidos estariam a “anotar nomes” dos países que votassem contra a decisão de Donald Trump reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Haley enviou uma carta a todos os membros em que, segundo o The Guardian, encoraja os países, “enquanto deliberam o voto”, “a saber que o presidente e os Estados Unidos vão levar este voto pessoalmente”. Na mesma missiva, a embaixadora dos EUA refere que Donald Trump “vai estar a assistir a este voto cuidadosamente e pediu que eu [Haley] reportasse aqueles que votaram contra nós”.

A votação, que se vai realizar esta quinta-feira, e o aviso de Haley vêm na sequência de uma outra votação feita ontem, terça-feira, no Conselho de Segurança da ONU, sobre uma resolução que pedia que Trump recuasse na decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Tirando os EUA, que usaram o seu direito de veto, todos os países votaram a favor — os votos foram assim de 14 a favor e 1 contra.

Além da carta enviada a todos os membros, Nikki Haley ‘tweetou’ ainda uma mensagem dirigida aos países que rejeitarem a decisão de Trump mudar a embaixada israelita de Tel Aviv para Jerusalém. “Na ONU, é-nos [EUA] sempre pedido que façamos mais e demos mais”, afirma. “Portanto, quando nós tomamos uma decisão, de acordo com a vontade do povo americano, sobre onde localizar a NOSSA embaixada, não esperamos que aqueles que ajudámos nos alvejem. Na quinta-feira vai haver uma votação a criticar a nossa escolha. Os Estados Unidos vão anotar nomes.”

A votação de quinta-feira, na Assembleia Geral das Nações Unidas, será realizada numa sessão de emergência organizada devido ao veto dos EUA na anterior votação, em Conselho de Segurança. Desta feita, os EUA não poderão vetar a decisão — não é possível fazê-lo em Assembleia Geral.

O jornal israelita Haaretz refere que Israel enviou uma carta aos seus representantes diplomáticos, pedindo-lhes que tenham reuniões com membros governamentais para os persuadir a ordenar os seus representantes na ONU a votar contra o projeto de resolução, o qual, segundo o The Guardian, declara que a decisão dos EUA se torna “nula e vazia”. Além disso, a carta de Israel aconselha que os países evitem decisões que possam “alterar o caráter, status ou composição demográfica da Cidade Santa de Jerusalém”.

A Assembleia Geral da ONU vai-se reunir após o pedido feito pela Turquia e pelo Iémen, em nome da Organização de Cooperação Islâmica, tendo sido eles também quem escreveu o projeto de resolução que o Conselho de Segurança votou na passada terça-feira.

Além da votação que se realizou ontem no Conselho de Segurança da ONU, a Assembleia Geral realizou o voto anual do direito da Palestina à autodeterminação. A votação ficou 176-7, tendo a esmagadora maioria dos membros votado em prol dos palestinos.