Espicaçada a curiosidade com as declarações da CEO da Citroën, Linda Jackson, ainda em Outubro último, quando admitiu a hipótese de um C3 mais “picante”, inspirado no carro do WRC, eis que é o director de produto da marca francesa a estragar a “festa”, ao garantir agora que uma versão C3 mais desportiva é algo que não está nos planos do fabricante. Porque, segundo Xavier Peugeot, o foco da Citroën é, hoje em dia, o conforto e não a potência.

Passados apenas quatro meses após as declarações de Linda Jackson aos media, tudo parece ter mudado na Citroën, com o director de produto a contrariar a sua chefe, em declarações à britânica Top Gear: “Provavelmente, até teríamos oportunidade de vender alguns C3 mais potentes, mas a verdade é que é mais importante para nós focarmo-nos na nossa nova estratégia enquanto marca, que passa pelo conforto.”

Esta posição é, de forma algo surpreendente, corroborada agora pela própria Linda Jackson, que disse à mesma publicação que “o ADN da Citroën não passa por oferecer motores muito performantes”. Algo que, se nos é permitido recordar, não deixa de colidir com a aposta que marca francesa tem feito, ao longo dos últimos anos, por exemplo, no Mundial de Ralis, precisamente com o C3. Alcançando, inclusivamente, um nível surpreendente de sucesso.

A apoiar as teses de que o Citroën poderia, efectivamente, avançar com um C3 mais desportivo, está o facto de um projecto como este não necessitar sequer de um investimento avultado, pois poderia aproveitar as sinergias fornecidas pelo próprio grupo e todo o know-how já reunido pela Peugeot, com o seu 208 GTi.

Mesmo sem uma versão mais assanhada, a verdade é que o C3, dado a conhecer em 2016, continua a ser um dos best-sellers da marca francesa na Europa, graças à ampla oferta em termos de personalização e motores – com o título de versão mais potente a estar, neste momento, nas mãos de um diesel de 120 cv.