Edward Snowden

Edward Snowden afirma que o Facebook é uma “empresa de vigilância”

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"Os negócios que fazem dinheiro com a recolha e venda de registos detalhados de vidas privadas foram, em tempos, descritos claramente como 'empresas de vigilância'", disse Edward Snowden no Twitter.

Edward Snowden, o antigo analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos que tornou públicos detalhes sobre os sistemas de vigilância do governo norte-americano sobre os cidadãos, criticou o Facebook na sequência das notícias recentemente publicadas sobre como a rede social permitiu que a empresa de análise de dados Cambridge Analytica recolhesse dados pessoais de 50 milhões de utilizadores para ajudar a campanha eleitoral de Donald Trump.

“O Facebook obtém as suas receitas ao explorar e vender detalhes íntimos sobre a vida privada de milhões, muito além dos escassos detalhes que voluntariamente publicamos. Eles não são vítimas. São cúmplices”, escreveu Edward Snowden no Twitter, no sábado.

O antigo agente da NSA acrescentou que “os negócios que fazem dinheiro com a recolha e venda de registos detalhados de vidas privadas foram, em tempos, descritos claramente como ‘empresas de vigilância’. O rebranding deles enquanto ‘rede social’ é a fraude mais bem sucedida desde que o Departamento da Guerra passou a Departamento de Defesa”.

Este fim de semana, o jornal britânico The Observer (edição semanal do The Guardian) revelou que a Cambridge Analytica, empresa de análise de dados que colaborou com a campanha eleitoral de Donald Trump para as eleições presidenciais de 2016, utilizou informação recolhida em 50 milhões de perfis do Facebook norte-americanos, para prever o sentido de voto dos utilizadores e definir estratégias de comunicação digital em função dessa informação.

[Veja no vídeo 5 medidas que pode tomar para proteger a sua conta do Facebook]

A informação foi revelada ao jornal britânico por Christopher Wylie, um antigo funcionário da Cambridge Analytica que trabalhou na empresa durante aquele período. “Aproveitámos o Facebook para recolher milhões de perfis e construímos modelos de análise para — através do que ficámos a saber sobre estas pessoas — direcionarmos conteúdos pensados nos seus maiores medos”, assumiu Wylie.

O Facebook respondeu de imediato à polémica, publicando um comunicado em que garantiu que dizer que este episódio é uma “brecha de segurança de dados é completamente falso”, lembrando que a recolha de dados para a Cambridge Analytica foi feita através de uma aplicação que pedia aos utilizadores que dessem o seu consentimento.

Essa aplicação foi desenvolvida por Aleksandr Kogan, um académico da Universidade de Cambridge, e pela sua empresa, a GSR, em colaboração com a Cambridge Analytica, que fez a recolha e tratamento dos dados. Depois da publicação da notícia, no sábado, o jornal The Observer foi abordado por advogados da rede social Facebook que consideraram que as alegações publicadas eram “falsas e difamatórias” e que a rede social se iria defender legalmente.

Christopher Wylie, que diz estar a tentar “emendar” os erros que diz ter cometido enquanto funcionário da Cambridge Analytica, garante que “o Facebook sabia disto há pelo menos dois anos e não fez quase nada para corrigir”. “Isto não é novo”, sublinhou Wylie, considerando que “as pessoas precisam de saber que este tipo de recolha de dados acontece”.

No mês passado, o Facebook e o presidente da Cambridge Analytica, Alexander Nix, confirmaram ao comité do parlamento britânico que está a investigar a divulgação de notícias falsas online que aquela empresa de análise de dados nunca tinha utilizado informações recolhidas no Facebook. Contudo, na sexta-feira, o Facebook admitiu, num comunicado, que já em 2015 tinha tido conhecimento de que os perfis foram passados para a Cambridge Analytica, recorda o The Guardian.

Por isso mesmo, o presidente do comité para a cultura, media e desporto da Câmara dos Comuns do parlamento britânico, Damian Collins, já veio dizer que irá chamar o líder da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, para depor perante aquele comité.

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