Renato Silva estava “no lugar errado à hora errada”, como descreveu um amigo. O jovem, filho de emigrantes portugueses em França, estava a caminho de uma padaria com um colega do estágio de hotelaria quando foi atacado por Radouane Lakdim, o responsável pelo ataque a um supermercado em Trèbes, a cerca de dez quilómetros de Carcassonne, que causou quatro vítimas mortais na sexta-feira. Renato está entre os cerca de 12 feridos e é, neste momento, o caso mais grave. O amigo morreu.

Natural de Coimbra, Renato estava a viver em França há pouco tempo. Apesar de os pais terem emigrado há já décadas, o jovem de 27 anos tinha permanecido e estudado em Coimbra, refere a edição deste sábado do Jornal de Notícias. Terminados os estudos, e sem conseguir arranjar trabalho em Portugal, decidiu juntar-se aos pais em França. Encontrava-se a fazer um estágio em hotelaria em Carcassonne quando foi apanhado pelos eventos de sexta-feira, dia em que terminaria a formação.

Renato, que “tinha comprado um carro usado há cerca de dois meses”, ia a caminho de uma pastelaria para comprar o “lanche de final de curso” quando foi interceptado por Radouane Lakdim durante uma curta paragem no trânsito, junto ao castelo de Carcassonne, revelou um amigo da família ao Jornal de Notícias. O jovem português foi atingido na cabeça e tem, neste momento, o projétil alojado na cabeça. O colega francês, que seguia ao seu lado, teve morte imediata. “Estava no lugar errado à hora errada”, lamentou o amigo da família. Foi o carro de Renato, um Opel Corsa branco, que Lakdim usou para se deslocar até ao supermercado em Trèbes.

Na página de Facebook, o português publicou uma fotografia de perfil a 13 de janeiro onde escreveu “Be good to people”, o que em tradução livre significará “Seja bom para as pessoas”.

De acordo com o Diário de Coimbra, Renato encontra-se no hospital de Perpignan, para onde terá sido transportado de helicóptero. O secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, que visitou o português este sábado, adiantou que a vítima está numa unidade de neurocirurgia em coma induzido, devendo assim permanecer durante alguns dias, enquanto são realizados exames e avaliações médicas. Os médicos vão esperar pelas primeiras 48 horas para decidir como retirar a bala, alojada na cabeça. O seu estado é considerado muito grave.

O governante adiantou que está a ser dado à família apoio psicológico, de alimentação e de alojamento. Além disso, os serviços consulares estão a tratar da documentação da família, uma vez que só o pai de Renato estava inscrito nos serviços consulares por residir há mais tempo em França. “É importante para nós garantir que esta família terá todo o apoio. Hoje mesmo [sábado] à tarde a família deve encontrar-se com uma associação de apoio às vítimas de atentados terroristas”, afirmou o secretário de Estado das Comunidades.

Português chegou a ser dado como morto

Renato Silva chegou a ser dado como morto, depois de o secretário de Estado das Comunidades ter anunciado que havia um português entre as vítimas mortais do atentado de sexta-feira em França. A informação foi posteriormente desmentida por José Luís Carneiro, que explicou que esta tinha havido erro de comunicação entre as autoridades francesas e os serviços consulares de Toulose.

“Devido a erros na comunicação entre as entidades envolvidas na gestão de crise no local onde decorreu o atentado, inicialmente foi transmitida à Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e à Embaixada em Paris a informação da existência de uma vítima mortal”, disse José Luís Carneiro em comunicado. “Depois da realização de diligências junto de várias entidades, verifica-se apenas haver registo de um cidadão português gravemente ferido.”

Marcelo Rebelo de Sousa chegou, contudo, a emitir uma nota de pesar pela morte de um português no atentado, que foi depois alterada no site da Presidência da República. De acordo com o comunicado, Marcelo falou durante a noite “com o pai da vítima portuguesa gravemente ferida no ataque em Trèbes, desejando as melhoras e a manifestar a sua solidariedade neste momento difícil”.

O Presidente enviou também uma mensagem a Emmanuel Macron, transmitindo “a sua solidariedade, em nome de todos os portugueses” e reiterando “a sua convicção na importância da Europa se manter unida no combate à violência e ao terrorismo”.

O ataque registado esta sexta-feira conta já com dois detidos, uma mulher e um rapaz que completa este ano 18 anos. Ainda não foram inquiridos, segundo a imprensa francesa.

Artigo atualizado às 14h24 com as declarações do secretário de Estado das Comunidades

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