Itália tinha ameaçado, mas acabou por se mostrar disponível para negociar. E  Emmanuel Macron terá liderado uma série de negociações bilaterais com vários países e chegado a um entendimento para uma proposta relativamente ao tema das migrações: criar “centros controlados” dentro da Europa para acolher os migrantes que chegam às zonas de maior pressão migratória e fazer aí a gestão dos pedidos de asilo, a fim de perceber quem pode tornar-se refugiado e assim permanecer em solo europeu.

O consenso entre os líderes europeus, porém, só chegou ao fim de uma maratona de dez horas de negociações. No acordo, fechado às 4h35, ainda falta definir alguns detalhes, como por exemplo as regras para conceder asilo dentro da União Europeia. Mas os pontos principais ficaram assentes entre os governantes e o acordo permitiu aliviar a pressão política sobre o governo de Angela Merkel na questão das migrações.

Ao final da noite de quinta-feira, a proposta, como contava o El País, contava já com o apoio de vários países do sul como Grécia, Espanha, Malta e até Itália. E, garantia o mesmo jornal, já tinha “pleno apoio da UE”. Faltava perceber se os chamados “países de Visegrado”, do leste, aprovavam a proposta. A correspondente da Rádio França Internacional em Bruxelas garantia que a Hungria se opunha.

Fontes da delegação italiana foram sublinhado aos jornalistas presentes na cimeira que o estabelecimento dos centros em cada país é feito de forma “voluntária”. Esse foi o pormenor determinante para a Itália apoiar este acordo. Catherine Nicholson, editora da France24, explica por exemplo que a Grécia se ofereceu para acolher um desses centros, mas Itália não. O El País também avança que o Governo espanhol está disponível para acolher um desses centros.

Recorde-se que o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, tinha feito valer a sua ameaça de vetar as resoluções da cimeira europeia, que se realiza esta quinta e sexta-feira. Na fase inicial de negociações, Itália ter-se-á recusado a apoiar as conclusões já decididas pelos líderes europeus nas matérias já discutidas — segurança e defesa, emprego, crescimento económico, inovação, entre outros tópicos. O motivo? Roma só aceitava que sejam divulgadas as conclusões sobre todos os temas ao mesmo tempo que sejam conhecidas as resoluções europeias sobre as migrações.

As dificuldades nas negociações foram reconhecidas pela própria presidência do Conselho Europeu. Numa nota enviada aos jornalistas, o porta-voz de Donald Tusk apresentou os temas debatidos na primeira parte desta cimeira, mas explicou a falta de resoluções oficiais: “Tendo em conta que um dos membros preferiu guardar a sua posição relativamente a todas as conclusões,  nesta fase não houve acordo relativamente a nenhumas conclusões.”

Por essa mesma razão, explica o porta-voz, a conferência de imprensa prevista para esta quinta-feira com o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker e o presidente do Conselho, Donald Tusk, foi adiada.

As fugas de informação que têm surgido de dentro da reunião dos líderes dão conta de que esse membro será nada mais nada menos do que o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. A Bloomberg garante que o líder italiano recusou que fossem apresentadas quaisquer conclusões sobre qualquer um dos temas abordados na reunião, afirmando que terá de ser antes apresentado um acordo geral, que inclua todos os temas.

Ao site Politico, um diplomata europeu explicou que o debate sobre a migração está no centro da discórdia. “Itália quer esperar pelo debate da imigração e só depois confirmar todas as conclusões”, avançou a fonte ao site, acrescentando que essa declaração provocou “uma reação acalorada”. Oficialmente, a equipa italiana não confirmou o episódio.

À entrada da cimeira, Conte já tinha aberto a porta à possibilidade de não haver uma conclusão conjunta entre todos os Estados-membros relativamente ao tema das migrações. “Caso contrário, vai ter de haver soluções unilaterais”, declarou.

(artigo atualizado às 7h25 com a informação do acordo fechado entre líderes europeus)