Um troço da ponte Morandi, na cidade italiana de Génova, colapsou esta terça-feira. A infraestrutura com cerca de 90 metros de altura arrastou dezenas veículos que circulavam na autoestrada, na própria ponte. Os números de mortes e pessoas desaparecidas vão aumentando. As especulações quanto ao motivo a queda da ponte Morandi também. Eis o que se sabe e o que ainda falta saber sobre a tragédia de Morandi.

[Veja na animação todos os pormenores sobre a queda da ponte Morandi]

O que se sabe

A ponte estava em obras. Estavam em curso trabalhos de “consolidação do pavimento do viaduto” na ponte, confirmou em comunicado a empresa Autostrade per l’Italia, que assegura a manutenção da infra-estrutura. As obras de reestruturação foram iniciadas em 2016 mas ainda não estavam concluídas. Tinha até sido instalada uma ponte suspensa para permitir que as obras fossem realizadas.

O número de vítimas mortais. O mais recente balanço feito pelo ministro do Interior Matteo Salvini, ao final da manhã de quarta-feira, dava conta de 38 mortos confirmados, mas pouco depois o número foi atualizado para 39. Entre elas estão três crianças de 8, 12 e 13 anos. Antes disso, ao final do dia de terça-feira, o governo regional reviu os números em baixa, para 26, depois das projeções desta tarde terem apontado para as 35 vítimas mortais. Mas a gravidade do acidente acabou por aumentar de novo a lista de vítimas. Contabilizam-se ainda 16 feridos, 12 deles em estado grave. Para já já foram identificados 19 cadáveres. Estes são os últimos números oficiais avançados mas é provável que aumentem dado existirem ainda várias pessoas desaparecidas em número ainda indeterminado.

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Não há vítimas portuguesas. “Até ao momento, não há qualquer indicação de portugueses envolvidos”, de acordo com fonte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, em declarações à agência Lusa.

O número de deslocados. Pelo menos 432 pessoas foram deslocadas, devido ao colapso da ponte, de acordo com informação revelada pelo presidente da câmara municipal de Génova, Marco Bucci. Estão a ser montadas estruturas para alojar as pessoas deslocadas e já foram evacuados 11 edifícios.

O número de veículos . Entre 30 a 35 veículos ligeiros e três pesados estavam na parte do tabuleiro da ponte que colapsou.

O que falta saber

O número de pessoas soterradas e desaparecidas. Até ao momento, há 10 pessoas desaparecidas que estarão soterradas nos destroços, mas o número final ainda não foi confirmado.

 Identidade das vítimas. Apenas 19 das 26 vítimas mortais confirmadas foram identificadas pelas famílias.

A causa do colapso. Várias testemunhas dizem ter ouvido um trovão segundos antes de a ponte ter colapsado, cujo raio pode ter atingido a infraestrutura e causado o seu colapso. Na imprensa italiana há também referências a falhas estruturais de construção, que poderão ter sido agravadas pela tempestade que se fez sentir na altura do colapso. Uma responsável dos bombeiros, Amalia Tedeschi, negou que já existissem sinais da fragilidade da ponte: “Se havia sinais? Não, definitivamente. Nunca tivemos relatos que apontassem para isso”.

De quem é a culpa? O ministro italiano das Infraestruturas e Transportes, Danilo Toninelli, culpou a empresa Autostrade per l’Italia que fazia a manutenção da ponte de Génova pelo colapso. Toninelli denuncia que “os trabalhos de manutenção não são feitos devidamente” e que esta tragédia “demonstra-o”. Mas a empresa nega: “Os trabalhos e o estado do viaduto estavam sujeitos a constante observação e vigilância”. Entretanto o governo italiano já exigiu a demissão dos gestores da concessionária Autostrade per l’Italia, uma subsidiária da Atlantia, e responsável pela concessão e manutenção da ponte que desabou em Génova. Também o ministro das Infraestruturas, Danilo Toninelli, disse numa mensagem na rede social Facebook que “os diretores da Autostrade per l’Italia devem demitir-se antes de tudo” e avançou que o Governo italiano “ativou todos os procedimentos para a possível revogação das concessões e a imposição de uma multa de até 150 milhões de euros”. O ministro das Infraestruturas disse ainda que, “num país civilizado, não se pode morrer por uma ponte que desaba” e reiterou que os culpados “desta tragédia injustificável devem ser punidos”.