O corpo de Jamal Khashoggi terá sido desmembrado e posteriormente colocado em cinco malas, depois de o jornalista saudita ter sido estrangulado na embaixada da Arábia Saudita em Istambul. A notícia está a ser avançada pelo jornal turco Sabah, conotado com o regime do presidente turco, Recep Tayip Erdogan .

De acordo com a edição deste domingo do diário, que cita fontes das autoridades turcas, as malas terão sido levadas para a residência do embaixador saudita no próprio dia em que o jornalista foi morto – a 2 de outubro. Ao todo, terão estado envolvidas no processo 15 pessoas.

Os nomes dos suspeitos já começaram a ser divulgados. Os primeiros três membros identificados são Maher Mutreb, Salah Tubeigy e Thaar al-Harbi. Estão todos, de alguma forma, relacionados com a família real saudita. A investigação acredita que serão três peças-chave do grupo que desmembrou o corpo de Khashoggi.

Mutreb é um assessor direto do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. Já Tubeigy era o chefe do Conselho Científico Saudita e um coronel do exército saudita da confiança da família real. Assim como Al-Harbi, que recentemente foi promovido a tenente no ano passado, pela “bravura demonstrada na defesa do Palácio Real na cidade de Jeddah”.

A notícia avançada pelo jornal turco surge 48 horas depois de Erdogan ter dito que não tinha dúvidas de que a ordem para matar o jornalista tinha vindo das mais altas instâncias da Arábia Saudita.

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As suspeitas de esquartejamento e transporte do corpo ganham força com as imagens captadas pelas câmaras de segurança, tanto da embaixada como da casa do embaixador. Nas filmagens, e apesar de os dois edifícios estarem separados apenas por 200 metros de distância, podem ver-se três indivíduos a viajar em vários veículos desde a embaixada até a residência do diplomata por volta das 15 horas locais do dia 2 de outubro. Menos de 2 horas depois, Mutreb é visto saindo da residência.

Terá sido na residência diplomática que terão ficado as malas onde viajavam os restos mortais de Jamal Khashoggi, embora não se saiba ainda todos os detalhes deste processo.

Esta é uma questão iminente. Ninguém sabe para onde o corpo foi. Há uma tese que assegura que o corpo foi dissolvido em ácido, mas há um outro relato que adianta que os restos mortais foram depositados no poço que existe no jardim da residência do embaixador saudita. Ainda nada está claro “, descreve o jornalista da Al Jazeera Andrew Simmons.

Os meios de comunicação turcos indicaram que os 15 suspeitos, todos sauditas, terão regressado à Arábia Saudita no mesmo dia em que o jornalista foi visto pela última vez. Até ao momento, a investigação judicial, que está a ser levada a cabo por autoridades da Turquia e da Arábia Saudita, ainda não confirmou nenhuma das versões nem avançou com quaisquer detalhes oficiais.