Vaticano

Antigo número 3 do Vaticano e conselheiro do Papa Francisco considerado culpado de abusos sexuais

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Antigo ministro da Economia do Vaticano e conselheiro do Papa Francisco foi considerado culpado por um tribunal australiano de abusos sexuais de menores cometidos em 1996.

MASSIMO PERCOSSI/EPA

O cardeal australiano George Pell, antigo ministro da Economia do Vaticano, foi esta semana considerado culpado pela justiça australiana por crimes de abuso sexual de menores, avança a imprensa internacional especializada em assuntos religiosos. A notícia está a ser divulgada por meios de comunicação como o Crux ou a Catholic News Agency, depois de os jornais australianos terem sido impedidos de noticiar o julgamento.

Segundo o Crux, o cardeal — que era uma dos mais importantes figuras do Vaticano até ser implicado neste caso — foi considerado culpado por um júri do tribunal de Melbourne, por unanimidade, por cinco acusações de abusos sexuais contra dois menores ocorridos em 1996. O veredicto terá sido anunciado na terça-feira, mas só hoje foi tornado público através de informações divulgadas por fontes conhecedoras do processo à imprensa. A sentença será lida em fevereiro do próximo ano e tudo indica que o cardeal deverá enfrentar uma pena de prisão logo a partir desse momento.

O cardeal George Pell, hoje com 77 anos, foi nomeado em 2014 pelo Papa Francisco para o cargo de prefeito da Secretaria para a Economia do Vaticano, com o objetivo de conduzir a reforma económica da cúpula da Igreja Católica e limpar a imagem de uma instituição marcada pelos escândalos financeiros dos últimos anos. Pell era, até esta semana, um dos membros do poderoso C9, o restrito conselho de consultores do Papa Francisco.

Porém, em junho do ano passado, o cardeal australiano foi formalmente acusado pelas autoridades australianas por ter cometido crimes sexuais. A investigação que se sucedeu viria a revelar mais crimes, nomeadamente os cometidos contra aqueles dois menores na década de 90. Na sequência da acusação, Pell deixou temporariamente as suas funções em Roma e regressou à Austrália para se defender em tribunal.

Em 2017, o cardeal Pell deu uma entrevista ao Observador na qual negou as acusações de que era alvo — não só as que recaíam sobre si próprio, mas também as de que teria ocultado abusos cometidos por padres da sua diocese.

Esta quarta-feira, o Papa Francisco anunciou a dispensa de três cardeais do C9, incluindo George Pell. Porém, a justificação oficial comum a todos os dispensados é a idade avançada dos cardeais — embora dois deles, Pell e Javier Errázuriz, estejam envolvidos em casos relacionados com abuso sexual de menores nos seus países de origem.

Entretanto, na Austrália, os jornais queixam-se de censura e criticam a justiça por ter impedido a publicação de notícias sobre o julgamento do cardeal George Pell, um dos processos mais mediáticos neste momento naquele país. O Vaticano também não comentou, até este momento, as notícias, dizendo respeitar a decisão do tribunal australiano.

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