Política

Partidos reagem a mensagem de Marcelo com elogios, exigências, críticas à UE e garantias de credibilidade

PS, PSD e CDS partilham as preocupações da mensagem de ano novo do Presidente. BE criticou o encorajamento de Marcelo à "integração europeia" e o PCP sublinhou necessidade de "melhores salários".

MÁRIO CRUZ/LUSA

Os principais partidos já reagiram à mensagem de ano novo do Presidente da República português Marcelo Rebelo de Sousa. O PSD foi o último e só comentou o discurso do chefe de Estado no dia seguinte.

À esquerda, o PS manifestou partilhar as “preocupações” do presidente e alertou contra “extremismos e radicalismos” que levem “a populismos”, o Bloco de Esquerda lamentou a existência de Bolsonaros e lembrou ao PR que considera que as políticas da União Europeia “têm vindo a a agravar todas as desigualdades e a incapacitar o país” e o PCP disse a Marcelo que “não haverá justiça social sem melhor distribuição da riqueza, melhores salários e reformas”.

À direita, o PSD procurou “colar” as exigências e alertas de Marcelo ao próprio discurso que tem sido defendido pelos sociais-democratas. Já o CDS atacou de frente o governo de António Costa afirmando-se como uma “alternativa credível e ambiciosa” para governar o país.

PSD. Uma “economia robustecida” contra “um Estado que falha” contra a pobreza

Os sociais-democratas foram os últimos a reagir, comentando ao final da manhã de quarta-feira, a partir do Porto, a mensagem do presidente. Pela voz de André Coelho Lima, vogal da comissão política nacional do PSD, o partido lembrou que os alertas e exigências que Marcelo apresentou no seu discurso de ano novo reforçam o que há muito tem sido defendido pelo seu líder: “uma economia forte e robustecida” e “a ambição de se aproximar das melhores e mais avançadas economias da Europa”. Um passo que, insistem, é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos portugueses numa altura em que, como também Marcelo recordou, o país ainda “tem 1/5 da população condenada à pobreza”.

Temos ainda o correspondente a dois milhões de portugueses em situação de pobreza e isso tem de ser uma situação nuclear da política: o ataque à pobreza. O Estado está a falhar enquanto isso estiver a acontecer. Uma economia forte e robustecida é que faz com que a qualidade de vida melhore e ajuda a combater os índices de pobreza”, defendeu André Coelho Lima.

A economia foi, aliás, um dos pretextos para sustentar críticas ao executivo de António Costa. “O governo tem governado a olhar apenas para o presente, sem preparar a economia para o futuro e para as crises que são cíclicas. Tem ignorado que as políticas de hoje serão herdadas pelos nossos filhos e netos”, insistiu o porta-voz do partido. E lembra que, ao contrário do que tem sido defendido pelo primeiro-ministro e pelo ministro das Finanças, Portugal teve um dos piores crescimentos da Europa.

André Coelho Lima, Guimarães (Gonçalo Delgado/Global Imagens)

Ainda assim, e apesar das críticas, Coelho Lima garantiu que o partido foi sensível aos apelos de Marcelo Rebelo de Sousa a uma maior tolerância política e à importância de “nunca deixar de debater, mas sem criar feridas desnecessárias, protegendo a democracia e sem radicalizar o discurso político”. Um discurso que, reforça, “acaba por vir ao encontro das questões que o PSD tem defendido e do que tem sido o próprio discurso político de Rui Rio”.

Esta postura é muito a marca do dr. Rui Rio o que o tem exposto a muitas críticas, mas o partido vai resistir. Tem resistido a prometer tudo e a fazer um discurso fácil e populista.”

Para André Coelho Lima, “o PSD tem sabido ser uma oposição séria e responsável, tem mantido a postura que os portugueses esperam de um partido da oposição. Mas tem estado disponível para dialogar e assim permitir as reformas necessárias.”

PS. “Não nos deixemos cair em extremismos e radicalismos”

A secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, afirmou partilhar “todas as preocupações” referidas pelo Presidente da República na sua mensagem de Ano Novo, considerando que os próximos tempos exigem “bom senso” na governação.

Em declarações à agência Lusa, em reação à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, a “número dois” da direção dos socialistas mostrou-se de acordo com Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República deixa um apelo muito forte para os tempos difíceis que vivemos na Europa e no mundo – tempos que, para o PS, exigem bom senso na governação. Faz também um apelo à participação dos eleitores para o reforço da democracia nos próximos atos eleitorais que se avizinham, sem fraturas e com compromissos”, apontou a secretária-geral adjunta do PS.

Ana Catarina Mendes destacou também a ideia do chefe de Estado no sentido de que “não existam reivindicações excessivas que levem a populismos ou radicalismos”.

Ana Catarina Mendes (@ Paulo Cunha/LUSA)

“Todos os dias é preciso reforçar a nossa democracia e seguir um caminho mobilizador para um futuro melhor. Essa ambição o PS partilha: Governar para melhorar a vida das pessoas, combatendo as desigualdades, fazendo crescer a economia e o emprego, e reforçando todos os dias a credibilidade das nossas instituições democráticas”, salientou.

Ainda de acordo com a secretária-geral adjunta socialista, “o Presidente da República fez um apelo fortíssimo que o PS também tem vindo a fazer ao longo dos tempos”.

“A exigência de reforçar a democracia significa dar credibilidade a quem todos os dias tem de executar as políticas, dar respostas concretas às pessoas e não nos deixarmos cair em extremismos e radicalismos que atingem outros países europeus. Só com uma democracia robusta podemos combater os fenómenos populistas”, acrescentou.

BE lamenta “Bolsonaros” e queixa-se das políticas da União Europeia

O Bloco de Esquerda elogiou a oportunidade dos avisos deixados pelo Presidente da República sobre os perigos da extrema-direita, mas demarcou-se das soluções políticas por si preconizadas, considerando que as políticas europeias diminuem o país.

Estas posições foram transmitidas à agência Lusa pelo fundador e dirigente do Bloco de Esquerda Luís Fazenda, em reação à mensagem de Ano Novo do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

Luís Fazenda (@ João Porfírio / Observador)

“O Presidente da República chamou a atenção para a necessidade de um combate largo contra a extrema-direita, que pretende destruir o regime democrático. Fazer esse combate largo fundado no Estado de Direito, no pluralismo político, na cidadania é um ponto importantíssimo nos dias de hoje – afinal de contas é o espelho dos Bolsonaros [uma referência ao novo Presidente do Barsil] que se verte sobre esse mundo de conflitos”, salientou Luís Fazenda.

De acordo com Luís Fazenda, o Bloco de Esquerda também “sublinha que a mensagem do Presidente da República tenha contido referências muito expressivas sobre as desigualdades, a pobreza e a indignidade”.

Mas assinalamos a contradição entre a vontade de querer mudar essas situações negativas no país e depois encorajar e recomendar vivamente uma maior integração europeia. As políticas da União Europeia têm vindo a agravar todas as desigualdades e a incapacitar o país na senda do desenvolvimento, diminuindo-o”, sustentou o dirigente do Bloco de Esquerda.

Ou seja, na perspetiva de Luís Fazenda, na mensagem do Presidente da República “a solução não coincide com o diagnóstico”.

Nesse sentido, o Bloco de Esquerda irá confrontar-se abertamente com todas as outras opiniões nas próximas eleições europeias e para a Assembleia da República. Aliás, o Presidente da República íntima a que todos os partidos o façam. Nós fá-lo-emos”, indicou.

Luís Fazenda afirmou, nesse contexto, que as bandeiras do Bloco de Esquerda passarão por “retomar os direitos do trabalho, reforçar os serviços públicos e salvar o Serviço Nacional de Saúde”.

“Não deixaremos de combater por estes objetivos em todas as eleições com grande grau de exigência e clareza na formulação das propostas políticas”, acrescentou.

CDS promete ser “alternativa credível e ambiciosa”

O vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo afirmou em Braga que o partido vai ser uma “alternativa credível e ambiciosa” ao atual Governo “muito mau”, num comentário à mensagem de Ano Novo do Presidente da República.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente centrista reagiu às palavras proferidas pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, em particular sobre o ciclo eleitoral em agenda este ano, que inclui as eleições europeias, legislativas em Portugal e regionais da Madeira.

Nuno Melo (@ João Porfírio / Observador)

“O Presidente da República apela, com razão, a ‘escolhas exigentes’ nestes ciclos eleitorais, e o CDS tem provas dadas pela positiva”, comentou, em reação ao apelo feito pelo Presidente da República.

O dirigente centrista defende ainda que as escolhas que os portugueses vão fazer “implicam também que se avalie o que temos”. No seu entender, “o que temos” é “um governo que é muito mau, na medida em que, perante condições tão favoráveis, dificilmente se conseguiria pior”.

Todos os setores do Estado gerem atualmente o caos”, disse, indicando os casos da “saúde, com listas de espera, demissões em bloco, transportes, segurança, estradas publicas a ruir, e greves em todos os setores”.

Para Nuno Melo, o atual Governo de António Costa, “deve ser fortemente sancionado em cada uma das eleições”.

PCP: só há justiça social com “melhor distribuição de riqueza”

O dirigente comunista Dias Coelho defendeu que só pode haver justiça social em Portugal se existir uma melhor distribuição da riqueza, melhores salários e reformas, e disse encarar com confiança os próximos atos eleitorais.

Esta posição foi transmitida à agência Lusa pelo membro da Comissão Política do PCP em reação à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O senhor Presidente da República referiu a questão da justiça social. Nós queremos dizer que não pode haver justiça social se não houver uma melhor distribuição da riqueza, melhores salários e reformas”, sustentou Dias Coelho.

Para o dirigente comunista, ao longo de 2018, o seu partido teve “um papel decisivo na reposição e na conquista de diretos”.

“Queremos salientar que no processo de reposição e de reconquista de direitos, ao longo de 2018, se alargou a atribuição gratuita de manuais escolares, repôs-se novamente o pagamento integral do subsídio de Natal aos reformados, assim como direitos em áreas como a da saúde. Salientamos, ainda, que no ano que agora terminou demonstrou-se que o caminho verdadeiramente alternativo que está colocado ao povo português reside na política patriótica de esquerda capaz de libertar recursos e meios para que haja desenvolvimento e melhor distribuição da riqueza”, advogou o dirigente do PCP.

Exposição comemorativa dos 89 anos do Partido Comunista Português patente na Casa da Cultura de Coimbra (@ Paulo Novais / Lusa)

Já em relação à parte da mensagem do Presidente da República em que foi deixado um apelo à participação dos portugueses nas eleições europeias, regionais da Madeira e legislativas, Dias Coelho referiu-se a essas “importantes batalhas eleitorais”, dizendo que “reside na vontade, na força, na luta e também no voto do povo a resposta aos problemas que lhe estão colocados”.

“Uma resposta que o PCP encara com confiança, porque confia nos trabalhadores e no povo, na sua sabedoria e capacidade de transformar e modificar”, acrescentou.

Os Verdes: “É fundamental respeitar os direitos dos trabalhadores”

A deputada do Partido Ecologista “Os Verdes” Heloísa Apolónia afirmou hoje, em Lisboa, que o Governo tem revelado “alguma incapacidade de diálogo”, refletida nas greves realizadas em vários setores no país.

A deputada falava à agência Lusa reagindo à tradicional mensagem de Ano Novo do Presidente da República, na qual Marcelo Rebelo de Sousa se referiu ao clima pré-eleitoral para as três eleições que se realizam em 2019 (europeias, regionais da Madeira e legislativas) dizendo que “já começou em 2018”.

Heloísa Apolónia destacou essencialmente três aspetos do discurso do Presidente, salientando que o Governo deve “inverter a incapacidade de diálogo que tem revelado”.

É fundamental gerar capacidade de diálogo e respeitar os direitos dos trabalhadores”, salientou a deputada do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) à Lusa.

No discurso, Marcelo Rebelo de Sousa disse, a este respeito: “Chamem a atenção dos que querem ver eleitos para os vossos direitos e as vossas escolhas políticas, pela opinião, pela manifestação, pela greve, mas respeitem sempre os outros, os que de vós discordam e os que podem sofrer as consequências dos vossos meios de luta”, completou, referindo-se à conjuntura de contestação social.

O Partido Ecologista “Os Verdes” destacou ainda, do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, o “apelo muito importante” relativamente ao ciclo eleitoral “para que as pessoas votem e que não deixem nas mãos dos outros as escolhas que vão fazer”.

Heloísa Apolónia (@ Pedro Nunes/LUSA)

Outros aspetos do discurso do Presidente salientados pela deputada foram o apelo à “ética política”, que “Os Verdes” dizem exercer “com seriedade e lealdade para com os seus eleitores”, bem como os “avanços importantes” nesta legislatura, “mas que poderiam ter ido mais longe”.

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