Vai ser lançado nesta segunda-feira o jornal digital Sete Margens, um projeto editorial dirigido pelo jornalista António Marujo que se vai dedicar a cobrir o fenómeno religioso em Portugal e no mundo. O jornal estará disponível em setemargens.com a partir das 7h07 da manhã do dia 7 de janeiro, uma referência ao título da publicação digital.

O jornalista, que durante vários anos escreveu no Público sobre religião, explica ao Observador que a premissa do novo jornal é a de que “o fenómeno religioso, num sentido muito lato, é uma dimensão muito importante quer na vida das pessoas, individualmente, quer na realidade política, cultural e social dos povos”.

“Isto é óbvio para toda a gente quando se pensa em alguns conflitos contemporâneos, motivados pelo uso distorcido da religião, mas também na dimensão da intervenção social, frequentemente de matriz religiosa”, sublinha o jornalista.

Sete Margens pretende, na perspetiva de António Marujo, preencher a lacuna do acompanhamento dos assuntos religiosos na imprensa profissional. “Parece-nos que em Portugal o fenómeno tem sido marginalizado nos grandes media. Até paradoxalmente, porque sabemos que há muitas matérias religiosas que trazem leitores e espectadores aos meios de comunicação”, argumenta o diretor da publicação.

António Marujo garante ainda que este é um “projeto jornalístico, não confessional, que obviamente vai lidar com todas as confissões religiosas”. “O nosso objetivo não é ser uma alternativa ao que já existe. Nem ao noticiário que existe nos media generalistas nem ao que é feito pela Agência Ecclesia ou pela Rádio Renascença. A grande lacuna que queremos preencher é uma coisa que não existe. O fenómeno religioso desapareceu dos grandes media“, explica.

Já na segunda-feira, o primeiro destaque da nova publicação vai ser uma entrevista a Pedro Abrunhosa sobre o novo álbum, Espiritual. “Pensamos que traduz bem as várias coisas que queremos fazer. É um artista, e queremos dar destaque à dimensão cultural, é popular, para todos, e com este disco traduz muitas buscas contemporâneas de muita gente. Fala da Bíblia, de figuras como o Papa Francisco ou Tolentino Mendonça, do silêncio, da meditação e da contemplação”, afirma António Marujo.

A publicação é propriedade de uma associação cultural sem fins lucrativos que foi constituída para o efeito e que é constituída por jornalistas, académicos e outras figuras ligadas no fenómeno religioso ou interessadas nele. Jorge Wemans, Manuel Pinto ou Eduardo Jorge Madureira são algumas das figuras que se associaram ao projeto.

Para já com uma redação de três jornalistas e diversos colaboradores voluntários, o Sete Margens pretende a médio prazo “convencer as pessoas que se tornarem leitores de que, da mesma forma que pagam jornais, podem financiar o projeto mensalmente ou anualmente”.